Pesquisas do ISER demonstram que o caminho das mulheres evangélicas rumo à extrema direita passa pelas demandas diárias na luta pela sobrevivência das famílias, a imaginação religiosa que dá conta de organiza-la e a capacidade de lideranças produzirem derivações políticas dessa linguagem de fé


Dados não desenham um país, muito menos demonstram as formas como ele é imaginado, mas servem — e talvez seja isso que interesse — para verificar a validade de pontos de vista e interpretações críticas que são desenvolvidas para pensá-lo. O Brasil evangélico foi reduzido a uma imagem: um púlpito e uma “plateia” que olha com atenção o pastor falar que um candidato é mandado por Deus. Essa imagem foi feita foto, capa de jornal, os evangélicos são aqueles que escutam os pastores e dão dinheiro a eles. Ao menos é o lugar criado pelos que conheceram essa gente através da leitura. Autoilusão muito funcional para esses leitores de jornais resolverem sua angústia, frente à crise sem precedentes de imaginação nacional, com um grande culpado. Essa visão explicaria o motivo de, entre os evangélicos, mesmo nas parcelas mais pobres, existir uma maioria absoluta de apoio à extrema direita. O púlpito, lugar do mando, do pastor, é o grande manipulador que engana a “plateia”, pobres sem acesso aos direitos básicos prometidos por nossa Constituição, que, por falta de instrução, caíram no conto do vigário. Um ativo, outro passivo. Sujeito, objeto. 

É contra essa imagem que o Instituto de Estudos da Religião (ISER), um dos mais relevantes institutos de pesquisa sobre religião no país, publicou três grandes resultados de pesquisas. Os primeiros dados de uma pesquisa quantitativa nova sobre religião e vida pública no Brasil, uma sistematização do monitoramento das pautas religiosas na Câmara dos Deputados em 2023–2027 e uma pesquisa qualitativa com mulheres evangélicas realizada durante 4 anos (2022–2025), tentando entender o lugar da fé e da política no cotidiano. 

O primeiro dado que desmonta essa imagem é que quase 90% dos evangélicos não concordam com candidatos fazendo campanha eleitoral dentro das igrejas. Não que isso não exista, mas 70% dos entrevistados disseram que não tiveram recomendações políticas feitas pela liderança da sua comunidade de fé.1 Os pastores não precisaram indicar diretamente, mas algo na prática da sua fé parece qualificar a extrema direita como o melhor caminho para o país. Talvez as outras duas pesquisas ajudem a entender o que está nesse miolo; em outras palavras, nas práticas cotidianas de sobrevivência, nos vínculos afetivos e de confiança criados dentro das instituições religiosas, nos regimes de veridicção produzidos sobre si e sobre o mundo. Ou seja, é no lugar onde a religião opera como gramática dos sentidos, “estrutura de sentimento”, que o caldo engrossa e a imagem do jornal somente atrapalha em explicar. 

Durante 4 anos, diversas pesquisadoras2 do mais alto calibre das ciências sociais da religião entrevistaram 180 mulheres em todo o país. O escopo de seleção reproduzia as tendências nacionais e abarcava mulheres de 16 a 65 anos. O que se tornou disponível para o público, eu e você, foram relatórios redigidos a partir de sínteses das entrevistas, e agora foi publicada uma síntese final da pesquisa.

Os relatórios traçam um perfil socioeconômico muito nítido: a imensa maioria das entrevistadas pertence às classes C e D, com rendas familiares que orbitam entre um e três salários mínimos. Nesse cenário, a “família” que elas gerenciam está muito longe do arquétipo nuclear burguês. Um cotidiano forjado em arranjos de necessidade: casas divididas com pais idosos, irmãos desempregados ou sobrinhos, além de um número expressivo de mães que chefiam seus lares sozinhas ou que são as principais provedoras. Sustentar e organizar essa rede estendida não é uma obrigação moral, mas uma exaustiva operação logística diária de sobrevivência, subjetivada como ordenamento moral. Um lugar onde a perda de um emprego, o adoecimento de um membro ou o envolvimento de um jovem com a criminalidade pode levar o grupo inteiro ao colapso; onde os 500 reais perdidos nas bets são a diferença entre um mês tranquilo e um mês muito difícil.

Os dados da pesquisa mostram que a igreja funciona como a única instituição que de fato acessa o cotidiano dessas mulheres. Quando questionadas sobre o que tira seu sono, as entrevistadas elencam o medo crônico da violência urbana, o pavor do envolvimento dos filhos com a criminalidade, a inflação corroendo o poder de compra no supermercado e a falência dos sistemas de saúde e educação. A dívida, a fome, a morte, batendo à porta. Uma constante administração de crises. Ainda assim, é dentro da própria família que se imaginam os problemas e as soluções da vida, com os termos ofertados pela imaginação religiosa.

Independentemente do perfil étnico-racial, de classe, geracional ou regional, as entrevistadas atribuíram importante centralidade à igreja em suas vidas e relações sociais. […] A frequência é alta: são poucas as que iam à igreja apenas uma vez na semana. A maioria afirmou comparecer entre duas e três vezes semanalmente. […] É nos exemplos de pastoreio do dia a dia que essas mulheres forjam seu imaginário do crente ideal: aquele que é justo, que cuida dos irmãos, que sabe falar o que precisa ser ouvido e dá exemplo de como um cristão deve se comportar. Na maioria das vezes, houve referências ao pastor local ou a outra pessoa engajada no cotidiano da igreja e na relação com outros irmãos.3

Um país feito de famílias irmanadas em igrejas. Mas essa relação com cada igreja não é tão rígida assim. Segundo as pesquisadoras, existe um contínuo trânsito entre igrejas, pelas razões mais corriqueiras e menos teológicas: distância, possibilidade de chegar, cansaço. E o que, afinal, elas encontram na igreja? 

Perguntadas se a igreja ajuda a lidar melhor com as questões familiares, 77,7% das entrevistadas responderam que ela ajuda sempre ou na maior parte das vezes. […] Os elementos mencionados, em ordem de frequência, foram: aconselhamento (recebimento de direcionamentos, orientações e instruções), pregação da Bíblia, cultos e eventos voltados a mulheres, homens, jovens e à família como um todo, além de acolhimento. Também foram citados, embora com menor frequência, a leitura da Bíblia, as orações, as visitas aos lares e o aprendizado sobre o perdão.4

A comunidade de fé passa a operar como uma “família espiritual” que ajuda a lidar com as demandas de que, individualmente, não se dá conta. Oferece um espaço imaginativo e prático onde o caos é subjetivado em uma gramática de ordem e cuidado, regida por um comprometimento moral, que tem o pastor como guia e modelo. Esse regimento moral, contudo, não fala somente sobre si, enquanto indivíduo, mas tem algo a dizer para a nação.

Quando elaboraram sonhos para o país, as entrevistadas fizeram-no muito a partir do desejo de um futuro melhor para suas famílias e para as gerações seguintes. O cuidado com a família opera, nesse sentido, como cuidado com a nação. A família, assim, aparece como um critério de avaliação que organiza os demais: a economia, por exemplo, deve melhorar para o bem da família; a legislação deve proteger a família.5

Nesse sentido, o familismo de sobrevivência brasileiro6 se repõe com os termos do familismo apocalíptico estadunidense. Se os dilemas que elas enfrentam são eminentemente brasileiros, violência urbana, falta de educação, crime e drogas, a forma como esses impasses são encarados é a reposição de uma imaginação religiosa que nasceu nos EUA. A antiga sociedade puritana já concebia a família como a instituição primária da qual derivaram a Igreja e o Estado7, mas foi a partir das angústias da Guerra Fria e das revoluções civis e afetivas dos anos 1960 que nasceram os termos hoje ocupados. Diante de uma cultura e de um Estado percebidos como capturados pelo secularismo, o declínio da nação passou a ser compreendido como um declínio moral, em que a família nuclear tornou-se um “bunker” a ser defendido.8 Para sustentar as paredes dessa fortaleza, o evangelicalismo norte-americano desenvolveu uma extensa infraestrutura terapêutica e disciplinar, na qual a proteção do lar e o controle dos corpos passaram a ser ensinados de forma sistemática por meio de manuais de conduta e aconselhamento pastoral na defesa dos valores e princípios cristãos.9 A família é atacada pelos “valores seculares”, que vão causar o fim da nação, e precisa ser defendida. Família sob ataque, nação sob ataque. Os vasos comunicantes entre as igrejas brasileiras e estadunidenses deram conta de traduzir os termos para o português, mas foi o campo evangélico que conseguiu recolocá-los a partir dos dilemas brasileiros. Voltando à pesquisa, o que as pesquisadoras descobriram?

Perguntadas sobre o que consideravam importante na definição do voto, as participantes apontaram uma lista abundante de fatores, […] houve dois determinantes mais prevalentes. O primeiro foi de ordem moral, na medida em que as mulheres disseram que apreciavam candidatos que fossem pró-vida e pró-família e que combatessem o uso de drogas, o aborto, a homossexualidade e a corrupção […] O segundo fator-chave foram as propostas; houve ênfase, ainda assim, na avaliação da consonância entre propostas e princípios cristãos. A identidade religiosa por si só, apesar disso, não se mostrou suficiente para converter identificação em voto. As participantes se colocaram como protagonistas da escolha, relatando avaliar o histórico político dos candidatos, bem como sua competência técnica.10

Muito longe de uma visão teocrática do Brasil evangélico, o plano da decisão democrática opera a partir dos valores e princípios postos pela imaginação religiosa evangélica. Elas decidem, mas a partir dos termos que as convenceram a ocupar. A ideia de um “Brasil evangélico” só apareceu uma vez durante os quatro anos de entrevistas. Os termos de uma metafísica do nacionalismo cristão saem de cena e fica uma imaginação nacional amena, organizada pelos termos da fé que dão consistência às demandas diárias de sobrevivência, que ao mesmo tempo orientam sobre o que deve e como deve ser a nação.

É exatamente aí que a extrema direita samba com molejo. A contraposição entre esquerda e evangélicos foi algo construído politicamente no nosso século,11 e foi com esses termos que se começou a criar a atual distância entre os grupos sob duas pautas gerais: “gênero”, que vai desde a aceitação social da homossexualidade e tudo que sai do padrão hetero-patriarcal até a questão do aborto, “valores familiares”; e “corrupção”, qualificada dentro do próprio meio evangélico como o modus operandi “mundano”, uma falta de principios morais para se guiar, que vão desde a violência do crime até as rachadinhas e contratos fraudulentos. Claro que tudo isso é construído apontando-se a figura do Partido dos Trabalhadores. Afinal, é nele que se começa a levar a cabo alguns projetos de criminalização da homofobia, projetos pedagógicos anti-homofobia, o famoso “kit gay”; na parte da corrupção, a mídia tradicional se encarregou de construir a figura do ladrão.

De certo modo, é a partir desses dois eixos que trabalham os influencers-políticos, porque se trata disso. A extrema direita inaugurou um modo novo de fazer política a partir da infraestrutura digital que produz um outro tipo de subjetividade.12 Existe uma necessidade urgente de midiatização da atuação política — afinal, todo influencer serve como um operador da máquina algorítmica de atenção. Indo para nossa terceira pesquisa, as pesquisadoras e pesquisadores entendem que “ao longo da legislatura, casos de grande repercussão midiática impulsionaram projetos de lei que, apresentados como respostas a demandas sociais legítimas, frequentemente reforçam o repertório punitivo e moralizante da direita cristã.”13

A pesquisa apresenta cinco eixos. No campo da segurança pública, as proposições concentram-se no endurecimento penal, no incentivo ao armamentismo civil e na transferência do atendimento a pessoas em vulnerabilidade para as Comunidades Terapêuticas, institucionalizando modelos de cuidado e internação de base religiosa no âmbito das políticas de saúde. Na esfera educacional, a produção de leis atua para coibir o debate sobre diversidade e sexualidade, promovendo, em contrapartida, a aprovação de modelos cívico-militares de gestão, a regulamentação da educação domiciliar e a inserção oficial da Bíblia como recurso paradidático no cotidiano das escolas. A defesa da “família tradicional” é acionada como critério restritivo para o acesso a políticas sociais, operando normativamente para limitar os direitos reprodutivos das mulheres, barrar o reconhecimento jurídico de arranjos familiares diversos e submeter a infância a uma estrita vigilância parental e moral. No âmbito da cultura e do patrimônio, tramitam propostas que buscam oficializar feriados confessionais e reconhecer práticas religiosas e expressões artísticas, como a música gospel, como manifestações culturais nacionais, inserindo referências cristãs no calendário e na memória oficial do Estado. Na agenda de direitos humanos e regulação das mídias, os projetos são direcionados à formulação de dispositivos de criminalização de identidades minoritárias, sobretudo da população LGBTI+, e à criação de mecanismos de controle sobre o discurso público e as redes sociais, estabelecendo restrições à circulação de conteúdos sob a justificativa técnica de proteção à infância e à ordem familiar.14

Vemos menos um grande projeto orquestrado de cima para baixo e mais uma série de grupos e sujeitos apostando suas carreiras e sua imagem pública em pautas e temas que dialogam com aqueles que eles querem representar. Empreendedores políticos que, sabendo muito bem como funciona a linguagem da fé na defesa dos valores e princípios, se colocam como representantes dessa batalha. 

Quem eu votei foi no Bolsonaro, pelos princípios cristãos. E também por ser o menos pior, o pior é o que tá elegido. […] Eu penso muito sobre Bolsonaro e penso que é melhor que Lula. Penso no Bolsonaro e outra cabeça pensa muito sobre Lula. Então dá briga, dá discussão, mas no fim gente tem que levar pra Palavra. E quando leva pra Palavra, que é a nossa realidade, a gente acaba enxergando que o que tá elegido não é condutor da Palavra. Sara, preta, 33 anos, Igreja Cristã do Brasil, Curitiba.15

Apesar dos problemas que se conhecem na gestão Bolsonaro, ele está mais próximo da palavra, que é a própria realidade. A disputa não é, então, semântica, ou mesmo política, mas opera no nível da prática da fé. Nos significantes ocupados para subjetivar a sobrevivência, nos sujeitos pastorais que produzem referentes morais que dão forma aos ideais, na forma como a fé é produzida para dar conta da existência e como a existência, dentro de uma realidade cindida e conflitiva, impõe aos termos da fé uma série de questões a serem resolvidas e como a imaginação evangélica brasileira conseguiu dar respostas a esses problemas práticos sendo ela mesma uma cristalização das contradições disso que temos o prazer e a desgraça de chamar de brasileiro.

Adendo. Escutei o Brasil num gospel 

Voltando à pesquisa por onde começamos essa história toda, nossos pesquisadores descobrem que 67% da população brasileira escuta música gospel. A história da música popular brasileira pode ser lida como uma história das formas de imaginar o país. No momento em que Mário de Andrade procurava, em Ensaio sobre a Música Brasileira (1928), estabelecer os elementos a partir dos quais seria possível pensar uma música propriamente brasileira, o samba começava a atravessar as fronteiras sociais e espaciais que o haviam circunscrito, tornando-se progressivamente uma das formas pelas quais o Brasil passaria a se reconhecer e a ser reconhecido. Brasil dos anos 30, entre o samba e as inovações na música clássica de Heitor Villa-Lobos. Identidade e imaginação nacional. A Bossa Nova produziria, algumas décadas mais tarde, uma nova inflexão no violão de João Gilberto, que condensava outra maneira de ouvir e apresentar o país; esforço que encontra continuidade em uma geração de músicos reunida sob o nome de Música Popular Brasileira. A própria ideia de Brasil parece, assim, ser continuamente refeita pela música, como se houvesse uma dimensão do país que só pudesse ser apreendida pelo ouvido, pelo ritmo. A emergência do Hip Hop deslocaria novamente esse terreno: em vez de tomar a nação como horizonte privilegiado da imaginação, a produção periférica passaria a constituir a própria periferia como lugar de enunciação e como sujeito da experiência brasileira. A identidade nacional é produzida, disputada e transformada pelas formas do mercado, pelos desenvolvimentos tecnológicos e pelas imagens que a sociedade brasileira produz de si mesma. 

O gospel dá outro saculejo, mas quem fala nele não é o sujeito periférico, e muito menos o Brasil popular, mas um sujeito crente que clama a seu Deus. Gospel não é música de se delongar grandes considerações teóricas. Cai dentro do grande veio da música “interessada”:

Lamente-se ou não esse fato, o uso mais forte da música no Brasil nunca foi o estético-contemplativo, ou da “música desinteressada”, como dizia Mário de Andrade, mas o uso ritual, mágico, o uso interessado da festa popular, o canto-de-trabalho, em suma, a música como instrumento ambiental articulado com outras práticas sociais, a religião, o trabalho e a festa. Com a urbanização e a industrialização, esse uso ganhou uma amplitude ainda maior na caixa de ressonância das grandes cidades.16

Não encontramos, deste modo, grandes obras de um primor técnico ou novidade artística, mas uma grande quantidade de obras médias que abastecem muito bem um público consumidor que escuta enquanto faz. As músicas, assim, se me permitem a avidez ensaística, têm formato de mãos. Mesclando a música interessada de Mário de Andrade com o binômio trabalho manual-intelectual, do Sohn-rethel, o que o gospel faz é dar consistência simbólica (nos termos da imaginação religiosa evangélica) e sonora (nas formas do louvor e da adoração homogeneizadas) às operações sacrificiais que as mãos dos sujeitos são obrigadas a fazer para que eles e sua família sigam vivos. Essas são as mãos ensaiadas por Caio Pacela. As mãos que fazem o que precisa ser feito e logo se levantam aos céus em agradecimento.

Me lembro, como poucas coisas na vida, do cantarolar seguro de uma senhora que parecia voltar de seu trabalho, na subida ao ônibus da linha 529 — que vai da Armênia à favela do mirante em Arujá —, e com os olhos cansados viam que nós, já que eu estava à sua frente na fila para entrar, íamos ficar em pé na viagem de 1h20 que estávamos a ponto de enfrentar. Bem baixinho, canta alguns versos de um gospel qualquer. Fiquei com a canção na cabeça, quem sabe de onde ela lembrou esses versos. Do alto dos meus 21 anos à época, no meio da campanha do Lula 3, só pude admirar a fé, não sem perceber que ela mesma é o problema proscrito. Música de fazer, não de escutar. Música por todos os lados. E é nela mesma que se pode perscrutar uma nova visão, uma nova realidade sentida na própria certeza de seu canto, para os problemas individuais-familiares e para a nação. Da ligação entre os vincos da vida, entre o vão que abunda a desgraça, superabunda o louvar; desmonta o chorar e refaz o viver. Sempre com muito louvor. Espaço onde a fé opera com força — a força da voz ciente e consistente que cantarola seus versos no meio do inferno — o nosso real campo de disputa para uma política que ainda há de ser inventada, como esse outro país que precisa chegar, e há de ser com muito louvor.

Notas:

1.↑ A pesquisa é muito mais longa e detalhada. Ao que parece, vai ser disponibilizado todo um banco de dados acessível online para nos divertimos com os números. Os dados disponíveis podem ser acessados aqui.

2.↑ Lívia Reis, Nina Rosas, Brenda Souza, Jordhanna Cavalcante, Hanna Motta, Laryssa Owsiany, Letícia Sales, Magali Cunha, Rafaella Console, Jacqueline Moraes Teixeira, Juliana Farias, Letizia Patriarca, Lorena Mochel, Ana Carolina Costa, Chirley Mendes, Fabiana Andrade, Sabrina Almeida, Tatiane Duarte.

3.↑ Instituto de Estudos da Religião. Mulheres evangélicas, política e cotidiano – 2022 / Coordenadoras Lívia Reis, Jacqueline Moraes Teixeira. – Rio de Janeiro, RJ: Instituto de Estudos da Religião, 2025a, p. 26-8.

4.↑ Instituto de Estudos da Religião.  Mulheres evangélicas, política e cotidiano – 2025 / Coordenadoras Lívia Reis, Nina Rosas. – Rio de Janeiro, RJ: Instituto de Estudos da Religião, 2026a, p. 83.

5.↑ Instituto de Estudos da Religião. Mulheres evangélicas, política e cotidiano (2022-2025) / Coordenação Lívia Reis. – Rio de Janeiro, RJ: Instituto de Estudos da Religião, 2026b, p. 47.

6.↑ Feltran não ocupa esse termo, mas é algo parecido com isso que ele demonstra na forma de sobrevivência nas periferias de São Paulo em sua tese publicada como livro. Gabriel Feltran, Fronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo (São Paulo: Editora UNESP), 2011.

7.↑ Edmund S. Morgan, The Puritan Family: Religion and Domestic Relations in Seventeenth-Century New England, Edição revisada (New York: Harper Torchbooks), 1966.

8.↑ Seth Dowland, Family Values and the Rise of the Christian Right (Philadelphia: University of Pennsylvania Press), 2015.

9.↑ Sara Moslener, Virgin Nation: Sexual Purity and American Adolescence (New York: Oxford University Press), 2015.

10.↑ Instituto de Estudos da Religião. Mulheres evangélicas, política e cotidiano – 2024 / Coordenadoras Lívia Reis, Nina Rosas. – Rio de Janeiro, RJ: Instituto de Estudos da Religião, 2025b, p. 43.

11.↑ É claro que essa história é mais complicada e vai desde as influências da direita cristã estadunidense nas lideranças nacionais, até os expurgos operados na época da ditadura, sobretudo no campo protestante. Mas, ainda assim, no começo da era Lula, os pastores-empreendedores apostaram suas fichas no presidente. Essa atual oposição quase irresolvível só se realizou finalmente em 2016. As poucas lideranças que ficaram contra o golpe e a prisão de Lula tiveram suas agendas canceladas e seus empregos questionados; vide a trajetória de Ariovaldo Ramos.

12.↑ Para uma leitura da crítica da economia política que se detém com precisão nesse processo de subjetivação própria das redes sociais, conferir a tese recém defendida de Cian Barbosa: BARBOSA WHATELY, Cian Spangemberg. Tecnocaos: guerra, capitalismo e subjetividade na utopia invertida do digital. 2026. Tese (Doutorado em Filosofia) – Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2026.

13.↑ Instituto de Estudos da Religião. Pautas em disputa na política brasileira [livro eletrônico] : Agendas religiosas na 57ª Legislatura da Câmara dos Deputados (2023-2027) / Lívia Reis … [et al.]. – Rio de Janeiro, RJ: ISER, 2026c. p. 11.

14.↑ ISER, 2026c.

15.↑ Instituto de Estudos da Religião. Mulheres evangélicas, política e cotidiano – 2023 / Coordenadoras Lívia Reis, Jacqueline Moraes Teixeira. – Rio de Janeiro, RJ: instituto de Estudos da Religião, 2025b, p. 41.

16.↑ WISNIK, José Miguel. O minuto e o milênio ou Por Favor, professor, uma década de cada vez. Artepensamento, 2005. Disponível em: https://artepensamento.ims.com.br/item/o-minuto-e-o-milenio-ou-por-favor-professor-uma-decada-de-cada-vez/