Concílio Anual prolongado apresenta ênfase no OneVoice27, em meio a evasão de membros, instituições fora dos padrões da auditoria, e uso massivo de conteúdo de IA
Por Andrew Francis | Traduzido e adaptado do original em inglês para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org
A comissão executiva do Concílio Anual da Associação Geral (AG) de 2026 demonstrou criatividade e enfatizou a importância da comunicação. Um pouco mais de um ano após o início da presidência de Erton Carlos Köhler na AG, líderes e representantes da igreja têm uma visão mais clara das prioridades do brasileiro: foco na missão e unidade da igreja.
Embora ao menos mais um ano seja necessário para esclarecer quão eficazes serão Köhler e sua iniciativa, OneVoice27, além de entusiasmar seus colegas da denominação, os sete dias de assembleias administrativas e cultos do Concílio Anual proporcionaram uma visão útil sobre o que podemos esperar.
A seguir estão algumas das principais conclusões e perguntas persistentes que tenho para o futuro do adventismo após passar meu final de semana do Dia dos Povos Indígenas cobrindo o Concílio Anual em Silver Spring, Maryland.
AG e divisões “de cabeça” no OneVoice27: as igrejas vão atrás?

Muitas das assembleias administrativas apresentaram relatórios das divisões sobre planos para implementar o OneVoice27 em seus territórios — em sua maioria, na forma de apresentações em vídeo que resumem o que as igrejas e os líderes locais estão fazendo para promover o projeto e o slogan que o acompanha, “Jesus faz tudo novo”.
A AG não forneceu muitos requisitos ou diretrizes específicas sobre como as divisões deveriam implementar o OneVoice27, na esperança de que os líderes da igreja elaborassem um evangelismo contextualmente relevante para suas regiões no mundo adventista. No entanto, em todas as divisões há uma ênfase em métodos de alcance por redes sociais e multimídia.
O foco nas redes sociais começou antes do Concílio Anual, de forma mais notável com a Cúpula Global de Criadores Adventistas, realizada pela AG em julho para 200 influenciadores e criadores de conteúdo adventistas de mídias sociais, contribuindo diretamente para o lançamento oficial do OneVoice27 pela igreja em 5 de setembro. Antes de Köhler, o foco nas redes sociais e na comunicação digital esteve em grande parte ausente.
No entanto, obter engajamento local de igrejas e pastores pode se provar desafiador. Desde que a SPECTRUM começou a noticiar sobre o OneVoice27, quando anunciado no Concílio Anual do ano passado, tenho observado ceticismo em relação a essa outra iniciativa evangelística elaborada por administradores da igreja. Muitos a compararam ao Pentecost 2025 da Divisão Norte-Americana, uma iniciativa evangelística que deixou as igrejas com pouco em termos de legado e impacto local.
David Trim, diretor do Gabinete de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da AG (ASTR), me disse, durante o Concílio Anual de 2026, que espera que o impacto do OneVoice27 nas divisões corresponda às taxas atuais de crescimento de membros em suas respectivas regiões do mundo. A América do Sul e a África são as áreas com o crescimento mais rápido na denominação, enquanto o crescimento na América do Norte e na Europa desacelerou.
Acredito que superar as expectativas de Trim pode ser necessário para maximizar o OneVoice27 e provar que ele pode ser verdadeiramente a “maior e mais grandiosa iniciativa evangelística” para a igreja, como previu o tesoureiro da AG, Paul Douglas, durante o Concílio Anual deste ano. Líderes de divisões e uniões terão que mobilizar as camadas da liderança da igreja e fazer do OneVoice27 uma prioridade para seus membros.
Crescimento global promissor carece de contexto

Em 2025, escrevi sobre como o relatório do Serviço de Auditoria da AG (GCAS) revelou que tanto os dirigentes da igreja quanto seus membros não têm uma ideia muito precisa da situação fiscal das instituições na denominação, devido ao fato de metade delas não realizarem auditorias. Cerca de 39% das instituições auditadas tiveram notas inferiores à classificação máxima do “padrão”. Este ano, esses números permanecem relativamente inalterados.
Embora Douglas e a tesouraria da AG tenham apresentado dados financeiros amplamente positivos para a igreja mundial, destacados por um aumento orçamentário de 10 milhões de dólares e pela promessa de 99 milhões de dólares da AG e das divisões destinados ao OneVoice27, isso diz pouco frente às graves dificuldades financeiras que muitas igrejas e escolas denominacionais estão enfrentando.
Uma força-tarefa para a supervisão financeira da AG começou a investigar como as instituições da igreja podem melhorar sua situação financeira; e como o GCAS, mesmo com funcionários insuficientes, pode ser melhor utilizado. No entanto, ações práticas podem não ocorrer até que Douglas apresente um relatório para a força-tarefa durante as Reuniões da Primavera.
Além disso, Trim, durante o relatório da Secretaria da AG, apresentou a estatística preocupante de que mais de quatro em cada 10 adventistas deixaram a igreja nos últimos 60 anos.
Embora o foco na missão tenha mérito inegável, a retenção de membros e o crescimento financeiro local também devem ser abordados para que a igreja mantenha sua sustentabilidade. Köhler fez questão de afirmar, durante a última assembleia administrativa do Concílio Anual, que preparar os membros existentes para a missão deve vir antes de evangelizar outros; no entanto, mais ações práticas são necessárias para garantir mudanças reais.
Inteligência Artificial e adventismo: foco ou distração missiológica?

Durante o Concílio Anual deste ano, registrei mais de 20 casos de palestrantes que provavelmente usaram Inteligência Artificial (IA). É seguro dizer que a denominação está se jogando de cabeça no uso da IA, encarregando-a de tudo, desde traduções até a geração de imagens, estudos bíblicos e aplicativos.
Köhler e outros administradores apresentaram argumentos válidos de que abraçar a nova tecnologia é o próximo passo lógico no desenvolvimento de como o ministério e o mundo como um todo operam. Foi reconfortante ouvi-los reconhecer e discutir as imperfeições frequentes da IA, o que, espera-se, deve ajudar a igreja a se proteger contra alguns usos indevidos.
Mas será que isso é o suficiente? A igreja pode compreender plenamente as implicações éticas e as limitações tecnológicas da IA, mas uma dependência excessiva da tecnologia pode deixar a igreja extremamente vulnerável.
Por exemplo, uma das principais características do aplicativo Adventist+, que será lançado em breve, é um chatbot chamado AKAI, que pode responder a diversas perguntas relacionadas ao adventismo. Richard Stephenson, tesoureiro associado da AG, disse durante sua apresentação do AKAI no Concílio Anual que “podemos garantir autenticidade e precisão controlando o corpo de conhecimento do qual ele extrai informações”.
Se essa afirmação se provar falsa, e a igreja tiver dificuldades para manter os parâmetros de sua IA, o adventismo pode ser facilmente deturpado pelos chatbots. Se for verdade, o AKAI e outras ferramentas de IA adventistas não serão um recurso confiável para perguntas mais complexas ou subjetivas que “Quais são as 28 Crenças Fundamentais?”, ou “Qual é a visão adventista sobre o estado dos mortos?”, limitando assim sua utilidade. Por que investir no desenvolvimento dessa IA quando ela poderia não oferecer nada além do que é facilmente acessível em adventist.org?
Talvez usar o financiamento para equipar melhor os pastores e outros humanos, em vez de criar ferramentas automatizadas, fosse mais eficaz para as aspirações do adventismo de alcançar e servir humanos.
Köhler elabora seu estilo de unidade

No final do Concílio Anual do ano passado, Köhler promoveu a unidade da igreja, ao mesmo tempo que prometeu acolher a dissidência e evitar a uniformidade. A maior prova disso durante as reuniões deste ano ocorreu durante uma longa discussão sobre as propostas de revisões abrangentes do Manual da Igreja, sobre as quais vários delegados, incluindo o ex-presidente da AG, Ted N.C. Wilson, compartilharam suspeitas e preocupações.
Wilson fez um comentário sugerindo que a quantidade de edições que serão levadas para votação durante a Assembleia da AG de 2030 seria grande demais para ser tratada dentro dos 10 dias habituais. A decisão de Köhler de responder imediatamente a Wilson e tentar acalmar as preocupações dos delegados — cortando a fila de delegados à espera de falar no processo — tornou o momento um pouco desconfortável a princípio, pois parecia que Köhler e seu antecessor estavam se opondo publicamente.
Felizmente, para Köhler, o apoio de Wilson à proposta foi conquistado, bem como o de mais de 80 por cento dos delegados votantes. Ele escolheu suas palavras com muito cuidado, contando com seu carisma e tom caloroso em vez de uma abordagem mais autoritária. Comentários posteriores e mais extensos de Köhler sobre sua apreciação por Wilson e Jan Paulsen, outro ex-presidente da AG, ajudaram a deixar claro para os delegados e para todos os adventistas assistindo que ele não está interessado em se envolver publicamente em nenhuma divisão política.
A decisão de Köhler de priorizar temas unificadores de confiança na Bíblia e foco na missão parece ter funcionado no início de sua presidência. Embora ele ainda não tenha provado o quão diferente é ideologicamente de Wilson em algumas das questões mais divisivas da igreja, os gracejos frequentes de Köhler e seu estilo tranquilo, mas não apático, claramente resultaram em uma mudança na cultura da AG. Acredito que essa mudança seja para melhor, mas sua durabilidade permanece em questão.
Minha impressão, com base em minhas observações limitadas na AG, tendo falado diretamente com o presidente apenas em alguns breves momentos, é que o foco missionário fundamental que Köhler está estabelecendo com o OneVoice27 pode ajudar a mitigar o desconforto inevitável que temas como a ordenação de mulheres trazem, caso a igreja mundial volte a abordá-los. Se Köhler conseguir que líderes suficientes compartilhem seu entusiasmo pelo trabalho missionário, talvez as pessoas percam a paixão pelos debates ideológicos que inflamam muitos líderes e membros igualmente.
Isso não quer dizer que essas preocupações desaparecerão silenciosamente, mas elas se tornam menos importantes aos olhos de uma igreja que se concentra e aguarda a segunda vinda de Cristo. Talvez isso seja excessivamente otimista da minha parte — e da parte do presidente, se eu estiver minimamente certo em minha teoria. De qualquer forma, se o OneVoice27 produzir os resultados esperados, você pode ter certeza de que Köhler terá muito mais facilidade para alistar líderes da igreja no evangelismo global novamente em 2028 e além, em vez de investir tempo considerável debatendo ordenação, vacinas ou homossexualidade.
Concílio Anual informativo, mas ineficiente

Depois de observar no ano passado quantas das reuniões do Concílio Anual terminaram antes do previsto, a continuação deste ano se arrastou por muito mais tempo. É justo perguntar se as assembleias administrativas maximizam o tempo alocado a serviço da igreja ou se são apenas rituais de sete dias repletos de conteúdo preenchido de forma inconsequente.
Isso inclui conteúdo como os sermões “Messengers of Hope” [“Mensageiros da Esperança”], apresentados por pregadores infantis no meio das assembleias. Deixando de lado por um momento a eficácia e a ética questionáveis em torno de evangelistas infantis, a última coisa de que essas assembleias precisam são mais sermões. Os programas de adoração começam a cada dia do Concílio Anual antes das assembleias administrativas, e há muitos discursos e orações entrelaçados com quase todos os itens da agenda.
Outro item que poderia ser reduzido ou eliminado completamente foi o monte de relatórios da OneVoice27 que cada divisão e departamento da AG apresentou. Eles se resumiam a anúncios institucionais com identidade visual azul e roxa. Visto que os delegados não votam na maioria desses relatórios, eles poderiam ter sido facilmente limitados.
O item da agenda que mais chamou a atenção foi a festa de aniversário do 100º aniversário da Working Policy da AG. Os chapéus de festa, o bolo e os óculos “100” serviram como uma pausa bem-vinda após o tédio das assembleias administrativas, de fato, mas a extensa lição de história sobre esse documento privado da igreja poderia ter sido um e-mail.
Tornar o Concílio Anual mais eficiente proporcionaria aos participantes tempo precioso para lidar com questões administrativas mais consequentes, ou permitiria que retornassem mais rapidamente aos seus respectivos cargos denominacionais, e ofereceria mais espaço para implementar o foco na missão e a unidade da igreja.





