Redes de mulheres operadas por homens como Epstein e Vorcaro não são aberrações individuais ou mera hipocrisia, mas uma máquina bem acabada de acúmulo de dinheiro e poder através da satisfação de desejos e do privilégio da transgressão


Há algo profundamente enganoso em reduzir o caso Epstein à narrativa de uma aberração individual. Essa redução produz um efeito tranquilizador: localiza o mal numa biografia, reúne os acontecimentos em torno de um monstro e oferece à sociedade a possibilidade de reconhecer-se como exterior àquilo que condena. O escândalo adquire um rosto. A estrutura que tornou possível sua atuação permanece ao fundo. Entretanto, o que perturbava naquele caso era justamente a existência de uma organização.1 A exploração possuía infraestrutura, recursos, intermediários e relações com círculos de prestígio. Dinheiro, corpos e acessos circulavam por conexões concretas. A figura individual concentrava a atenção sobre um funcionamento que a ultrapassava.

As revelações envolvendo Daniel Vorcaro recolocam esse problema no Brasil. Segundo reportagens baseadas em mensagens obtidas pela Polícia Federal, o banqueiro teria participado do financiamento e da administração de uma estrutura de recrutamento de mulheres para eventos privados, interferindo em decisões sobre seleção, pagamentos, hospedagem e deslocamentos. Os relatos incluem mulheres estrangeiras e refugiadas. A possível ocorrência de exploração sexual e tráfico de pessoas permanece sob investigação. Vorcaro nega exploração e contesta a autenticidade e o contexto de conteúdos divulgados.2

As diferenças entre os casos precisam ser preservadas. A aproximação permite, contudo, formular uma questão sobre a organização social do poder: como a concentração de riqueza se converte em capacidade de administrar a circulação de pessoas e de organizar sua disponibilidade para os desejos de outros? A resposta exige começar pela estrutura. Isso significa investigar as condições pelas quais decisões individuais encontram meios de execução, colaboradores, financiamento e proteção. Uma vontade privada adquire alcance social porque existem relações capazes de realizá-la. Entre desejar e fazer acontecer, há uma máquina.

Vorcaro interessa como operador situado no centro de um circuito cuja extensão e responsabilidades precisam ser estabelecidas. O operador conecta recursos e interesses, administra passagens, organiza encontros. Seu poder cresce na medida em que aquilo de que os outros necessitam passa por ele. Dinheiro torna-se acesso; acesso pode produzir proximidade; proximidade pode gerar influência; influência pode preservar as condições de acumulação. Cada conexão amplia a capacidade de produzir novas conexões.

É nesse circuito que a sexualidade precisa ser compreendida. A ideia de uma intimidade privada, acrescentada posteriormente às relações econômicas e políticas, deixa escapar o essencial. O desejo já participa dessas relações.3 Investe a riqueza, o prestígio, o reconhecimento e a autoridade. Encontra satisfação em objetos e encontros socialmente organizados, atravessados pela desigualdade entre aqueles que podem determinar as condições e aqueles que precisam adaptar-se a elas. Pode-se desejar a própria capacidade de dispor. O prazer pode envolver a confirmação de que o dinheiro providencia, de que uma preferência movimenta pessoas, de que alguém seleciona e faz chegar. A assimetria pode entrar na composição da satisfação. O poder torna-se experiência corporal: a riqueza sente a si mesma na disponibilidade que consegue produzir ao redor.4

Por isso, a intensidade do desejo não oferece qualquer garantia de emancipação. O desejo investe o campo social e pode contribuir ativamente para a reprodução de suas hierarquias: deseja-se também o comando, a obediência e a preservação das condições que asseguram o próprio privilégio. A dominação pode encontrar sustentação na satisfação que proporciona àqueles que a exercem e nos investimentos desejantes que mobiliza entre os que dela participam. Nessa perspectiva, cabe interrogar a própria transgressão: quando alguém dispõe dos recursos para ultrapassar limites e administrar as consequências, transgredir pode tornar-se uma experiência de confirmação de sua posição. O limite ultrapassado permanece vigente para os demais, e a possibilidade de atravessá-lo adquire o valor de um privilégio.

A circulação pode ampliar-se enquanto o poder de estabelecer suas condições permanece concentrado. Atravessar fronteiras e frequentar espaços luxuosos não assegura autonomia sobre o próprio deslocamento: quem financia, contrata e organiza pode conservar o controle sobre destinos, permanências e oportunidades. A mobilidade pode, assim, coexistir com formas de dependência e de inclusão subordinada5. Para avaliar a liberdade envolvida nessa circulação, é preciso examinar as condições concretas de recusa: a possibilidade de rejeitar uma proposta, interromper a participação ou abandonar o circuito sem que isso comprometa os meios necessários à própria existência.

Os relatos sobre o recrutamento de refugiadas tornam essa questão especialmente aguda. Uma vida deslocada pela guerra pode ser inserida num circuito que transforma a ausência de alternativas em condição favorável de contratação. A investigação deve esclarecer o que efetivamente ocorreu. O problema estrutural está na possibilidade de que uma catástrofe vivida por alguém se apresente a outro como oportunidade de recrutamento. 

O capitalismo encontra nessa desigualdade uma condição de funcionamento. Desfaz vínculos, desloca populações, dissolve pertencimentos e conecta os fluxos liberados segundo as exigências de valorização. A perda de um código anterior não assegura autonomia. Aquilo que se desprende de uma relação pode ser capturado por outra. O dinheiro oferece um princípio de conexão capaz de atravessar diferenças territoriais, morais e culturais, convertendo-as em condições de negócio. A agência, o contrato, a passagem, a hospedagem e o pagamento podem realizar essa recomposição. Uma existência separada de suas condições anteriores encontra novas exigências para continuar circulando. O que aparece como oportunidade pode conter uma forma renovada de dependência. A descodificação dos fluxos de desejo abre possibilidades cuja apropriação permanece profundamente desigual.6

É nesse nível que a religião entra no problema. Sua relação com o capitalismo não se esgota na condenação do excesso ou na oferta posterior de absolvição. A hipótese de uma afinidade entre protestantismo e capitalismo7 alcança a própria transformação histórica das condições de circulação do desejo. A ruptura protestante com a organização sacramental da vida cristã participa de um deslocamento decisivo das mediações. As relações com a salvação, a verdade e a autoridade são reorganizadas. O sujeito é convocado a reconhecer-se na fé, a examinar sua conduta e a encontrar na própria existência os sinais de sua orientação. Aquilo que perde sustentação numa determinada ordem sacramental exige novas formas de inscrição.

Essa transformação pode ser compreendida como passagem a uma hipermediação imanente. A mediação prolifera no interior da vida: na relação consigo, no trabalho, na família, na sexualidade, na comunidade e no exame dos afetos. O sujeito precisa produzir continuamente uma relação reconhecível com a verdade que afirma. Sua existência inteira pode tornar-se lugar de verificação.8 A afinidade com o capitalismo aparece na articulação entre dissolução e recomposição. Códigos herdados são desestabilizados; novas conexões passam a organizar as condutas. Os fluxos circulam sob exigências que podem ser reajustadas, ampliadas e combinadas. A autoridade acompanha essa mobilidade, intervindo sobre sujeitos que precisam orientar-se num mundo em transformação. Trata-se de uma hipótese sobre afinidades históricas entre processos distintos. O protestantismo possui conflitos, diferenças e possibilidades que excedem sua articulação com o capital. Ainda assim, essa afinidade permite compreender como a transformação religiosa pode participar da formação de sujeitos capazes de habitar a mobilidade, assumir individualmente suas exigências e procurar incessantemente sinais de legitimidade para a própria trajetória.

A pastoralidade ocupa uma posição decisiva nesse movimento. Ela conduz, por meio da relação que os sujeitos estabelecem com seus desejos, suas obrigações e suas expectativas. Em condições de mobilidade e instabilidade, a oferta de orientação pode adquirir uma força particular: interpretar uma dificuldade, reconhecer uma vocação, distinguir uma oportunidade de uma ameaça. Quem oferece esses critérios participa da maneira pela qual o sujeito compreende suas possibilidades e decide entre elas. A dependência pode formar-se nessa relação, quando o reconhecimento de si e a autorização para agir passam a exigir a confirmação de quem orienta. A mediação pastoral torna-se, assim, parte do circuito cuja continuidade ajuda a sustentar.9

É por isso que a moralização religiosa e a intensificação mercantil do desejo podem coexistir. A renúncia exigida em uma esfera pode acompanhar o estímulo ao consumo em outra. Determinadas satisfações são condenadas enquanto outras recebem legitimidade, reconhecimento e condições de realização. Códigos familiares podem ser reforçados enquanto relações de trabalho e condições de subsistência se tornam mais instáveis. O mérito pode ser celebrado em circunstâncias nas quais as oportunidades permanecem concentradas. A responsabilidade pessoal pode ser exigida de todos, embora os meios de agir, recusar e suportar as consequências de uma decisão estejam distribuídos de maneira profundamente desigual. 

Essa composição adquire consistência quando se observam seus mecanismos. Instituições, interesses e estratégias podem articular disciplina e excesso, contenção e estímulo, sem obedecer a um plano comum. A expansão mercantil encontra apoio tanto na produção de novas necessidades quanto na organização de condutas capazes de sustentar o trabalho, o consumo e o endividamento. Formas religiosas podem participar dessas relações ao oferecer sentidos, afetos e critérios pelos quais os sujeitos interpretam suas dificuldades e procuram conduzir a vida. Essa participação precisa ser examinada em cada situação, inclusive em seus conflitos e possibilidades de ruptura. A moralidade conserva eficácia quando produz obrigações, hierarquiza satisfações e distribui reconhecimento, mesmo que sua aplicação seja seletiva.

A explicação pela hipocrisia individual alcança apenas uma parte desse processo. A respeitabilidade pública pode produzir confiança, abrir portas e proteger posições. A participação em excessos privados pode estabelecer cumplicidades, criar obrigações e tornar custosa a ruptura com um grupo. Quando essas relações se articulam, a distância entre discurso e prática participa da reprodução do poder. A reputação de alguns pode depender da exposição de outros; a liberdade de transgredir pode apoiar-se na capacidade de transferir consequências. A investigação precisa alcançar essa distribuição social de permissões, silêncios e sanções: quem pode fazer, quem precisa consentir, quem pode denunciar e quem responde pelo que aconteceu.10

Nesse ponto, o escândalo sexual pode revelar uma organização mais ampla do desejo. Alguns dispõem dos recursos para transformar suas vontades em condições que outros precisam considerar para trabalhar, circular ou conservar oportunidades. Outros encontram sua margem de ação delimitada por quem financia o encontro, organiza o deslocamento e controla o acesso. Essa desigualdade não elimina a agência dos participantes, mas interfere nas condições em que ela pode ser exercida. A possibilidade de aceitar precisa ser examinada junto à possibilidade de estabelecer limites, recusar exigências, interromper uma relação e sair sem perder as condições de subsistência. O circuito conecta essas posições e pode reproduzir a desigualdade da qual depende. 

A pastoral obscena do poder designa uma forma de condução em que a oferta de orientação, reconhecimento e acesso se articula à administração de satisfações e à produção de dependências. Ela opera quando a participação em um circuito passa a organizar a maneira pela qual alguém reconhece seu valor, interpreta suas oportunidades e projeta seu futuro. Quem controla as condições dessa participação adquire também meios de orientar condutas. Sua obscenidade está na combinação entre circulação ampliada e decisão concentrada: pessoas, recursos e desejos se deslocam, enquanto permanece restrita a capacidade de estabelecer os termos do movimento. A promessa de liberdade pode, assim, tornar desejáveis relações que diminuem os meios de exercê-la.11

A investigação sobre Vorcaro deve alcançar pessoas, empresas, recursos e responsabilidades concretas. A crítica precisa acompanhar esse trabalho e interrogar os mecanismos pelos quais recursos econômicos podem ser convertidos em acesso, acesso em obrigações e obrigações em capacidade de conduzir a ação alheia. A existência e o alcance desses mecanismos precisam ser demonstrados. É nessa demonstração que a análise das relações de poder encontra sua força: acompanhar os pagamentos, os contratos, as intermediações e as condições efetivas de participação permite compreender como uma vontade particular pode adquirir eficácia sobre a vida de outras pessoas.

A aproximação com o caso Epstein exige o mesmo cuidado. Sua pertinência depende de identificar mecanismos comparáveis e diferenças relevantes entre os circuitos investigados. A concentração da explicação na personalidade de um protagonista pode fazer sua queda parecer suficiente para desfazer as relações que sustentaram sua atuação. Empresas, intermediários, formas de recrutamento, redes de proteção e condições de dependência precisam entrar no campo de investigação na medida em que as evidências os revelem. A responsabilização individual ganha alcance quando permite reconhecer também como essas relações se constituem e se reproduzem.

O alcance do escândalo está na possibilidade de compreender como desejo, capital e formas de condução da vida se compõem em relações concretas. A religião participa dessa história quando suas práticas de orientação, seus critérios de reconhecimento e suas promessas de transformação entram na organização dessas relações. Sua presença precisa ser procurada nas maneiras de formar sujeitos, interpretar experiências e autorizar condutas. É nesse plano que a circulação dos desejos encontra a distribuição dos meios de realizá-los — e que a liberdade de alguns pode ser sustentada pela dependência de outros.

A obscenidade começa quando a circulação de todos serve à soberania de alguns.

Notas:

1.↑ cf. UNITED STATES. Department of Justice. Jeffrey Epstein charged in Manhattan federal court with sex trafficking of minors. New York, 8 jul. 2019. Disponível em: https://www.justice.gov/usao-sdny/pr/jeffrey-epstein-charged-manhattan-federal-court-sex-trafficking-minors. Acesso em: 15 out. 2026; UNITED STATES. Department of Justice. Human trafficking and sexual exploitation of minors. New York, [s. d.]. Disponível em: https://www.justice.gov/usao-sdny/human-trafficking-and-sexual-exploitation-minors. Acesso em: 15 out. 2026; NEW YORK STATE. Department of Financial Services. Consent order: Deutsche Bank AG, Deutsche Bank AG New York Branch and Deutsche Bank Trust Company Americas. New York: Department of Financial Services, 2020. Disponível em: https://www.dfs.ny.gov/system/files/documents/2020/07/ea20200706_deutsche_bank_consent_order.pdf. Acesso em: 15 out. 2026; GOODWIN PROCTER LLP. Report concerning Jeffrey Epstein’s interactions with the Massachusetts Institute of Technology. [S. l.]: Goodwin Procter LLP, 2020. Disponível em: https://web.mit.edu/fact2020/files/MIT-report.pdf. Acesso em: 15 out. 2026; UNITED STATES. Department of Justice. Office of Professional Responsibility. Executive summary of report: investigation into the U.S. Attorney’s Office for the Southern District of Florida’s resolution of its 2006–2008 federal criminal investigation of Jeffrey Epstein and its interactions with victims during the investigation. Washington, DC: Department of Justice, nov. 2020. Disponível em: https://www.justice.gov/opr/page/file/1336471/dl?inline=. Acesso em: 15 out. 2026.

2.↑ Sobre as mensagens e a estrutura investigada, cf. DA CNN BRASIL. Vorcaro era sócio de rede de prostituição e recrutou refugiadas, diz site. CNN Brasil, 13 out. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/vorcaro-era-socio-de-rede-de-prostituicao-e-recrutou-refugiadas-diz-site/. Acesso em: 15 out. 2026; sobre a manifestação da defesa, cf. MONTORO, Ana Carolina. Vorcaro nega envolvimento com rede de prostituição: ‘Manipulação criminosa’. UOL, São Paulo, 13 out. 2026. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/10/13/vorcaro-nega-envolvimento-com-rede-de-prostituicao-manipulacao-criminosa.ghtm. Acesso em: 15 out. 2026; a comparação com Epstein foi formulada em: TREPTOW, Joana. As “escravas” da República de Vorcaro. TMC, 13 out. 2026. Disponível em: https://tmc.com.br/politica/as-escravas-da-republica-de-vorcaro/. Acesso em: 15 out. 2026.

3.↑ Sobre o investimento desejante do campo social e a articulação entre produção desejante e produção social, cf. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo: Editora 34, 2010. Especialmente os capítulos “As máquinas desejantes” e “Introdução à esquizoanálise”.

4.↑ Sobre a sexualidade como dispositivo histórico e as relações de incitação e reforço recíproco entre prazer e poder, cf. FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. Especialmente as partes “A hipótese repressiva” e “O dispositivo de sexualidade”.

5.↑ Sobre a articulação entre mobilidade, fronteiras e inclusão diferencial, cf. MEZZADRA, Sandro; NEILSON, Brett. Border as method, or, the mulyiplication of labor. Durham: Duke University Press, 2013.

6.↑ cf. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia 1. Tradução de Luiz B. L. Orlandi. São Paulo: Editora 34, 2010; MARX, Karl. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857–1858: esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2011. 

7.↑ cf. WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

8.↑ A noção de “hipermediação imanente” foi desenvolvida em minha tese de doutorado para compreender a proliferação das mediações religiosas no interior da vida cotidiana, pela qual a relação consigo e com os outros se torna lugar de exame, reconhecimento e verificação da verdade. cf. ARAÚJO, Samuel Jônatas Garcia de. “[Oito] homens e um segredo”: cartografias de sexualidade pastoral. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Religião) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2026; sobre a articulação entre governo das condutas, produção da verdade e constituição do sujeito no cristianismo, ver FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população: curso dado no Collège de France (1977–1978). São Paulo: Martins Fontes, 2008; sobre os procedimentos de confissão e a produção da verdade do sexo, ver FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988; sobre a condução metódica da vida e a comprovação da eleição na conduta cotidiana, especialmente no protestantismo ascético, ver WEBER, Max. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

9.↑ A noção de “pastoralidade” empregada nesta análise é desenvolvida em minha tese de doutorado, em interlocução com a genealogia foucaultiana do poder pastoral. cf. ARAÚJO, Samuel Jônatas Garcia de. “[Oito] homens e um segredo”: cartografias de sexualidade pastoral. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Religião) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2026; sobre a condução pastoral, sua relação com a produção de verdade e suas transformações históricas, ver FOUCAULT, Michel. Segurança, território, população: curso dado no Collège de France (1977–1978). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

10.↑ A análise das redes de reconhecimento integra a elaboração desenvolvida em minha tese de doutorado e é retomada aqui para interrogar as relações entre reconhecimento, pertencimento e condução da vida. cf. ARAÚJO, Samuel Jônatas Garcia de. “[Oito] homens e um segredo”: cartografias de sexualidade pastoral. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Religião) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2026; para uma discussão das redes de relações e das conversões entre capital econômico e capital social, ver também BOURDIEU, Pierre. The forms of capital. In: RICHARDSON, John G. (org.). Handbook of theory and research for the sociology of education. New York: Greenwood Press, 1986.

11.↑ A expressão “pastoral obscena do poder” é proposta aqui a partir das noções de “pastoralidade” e “hipermediação imanente” desenvolvidas em minha tese de doutorado. cf. ARAÚJO, Samuel Jônatas Garcia de. “[Oito] homens e um segredo”: cartografias de sexualidade pastoral. 2026. Tese (Doutorado em Ciência da Religião) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2026.