Apelo por doações para cobrir um déficit amplia questionamentos sobre transparência financeira, governança e liderança na maior associação adventista da África do Sul
Por Stanton Witherspoon | Traduzido e adaptado do original em inglês para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org
Um pedido de resgate financeiro emitido pela Associação Trans-Orange da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) na África do Sul gerou ampla discussão depois que os administradores da Associação revelaram um déficit relatado de R83 milhões (cerca de US$ 5 milhões) em fundos que deveriam ter sido repassados, e apelaram aos membros por assistência financeira.
Em uma carta datada de 29 de abril de 2026, o presidente da Associação Trans-Orange (TOC), Phaswane Makuwa, o secretário-executivo Themba Maseko e a tesoureira Victoria Ziqu informaram aos membros que a Associação deve aproximadamente R83 milhões à União Sul-Africana (SAU), uma dívida que, segundo eles, se acumulou ao longo de mais de uma década. Os administradores escreveram que “esta dívida colocou a Associação em uma posição de insolvência técnica, onde os passivos excedem os ativos”.
Como parte do que a carta descreve como “uma estratégia de recuperação financeira” aprovada pela comissão diretiva, a Associação designou uma conta bancária para receber doações de membros que desejam auxiliar no esforço de resgate. Eles apelaram aos membros para que “considerem em oração fazer uma contribuição sacrificial para este esforço de resgate”, acrescentando que, por meio do esforço coletivo e da graça de Deus, “acreditamos que a TOC pode alcançar um estado de solvência”.
O apelo gerou discussões significativas entre os membros da igreja e nas redes sociais. Embora alguns tenham expressado apoio aos esforços para estabilizar as finanças da Associação, outros levantaram questões sobre responsabilidade, transparência e governança. A carta descreve o valor devido e o plano de recuperação da Associação, mas não explica como o déficit se desenvolveu, quais fatores contribuíram para a dívida na última década ou quais medidas específicas estão sendo implementadas para evitar problemas financeiros semelhantes no futuro.
Preocupações de membros e fontes
Questões sobre o pedido de resgate ficaram ainda mais destacadas em um comentário enviado à SPECTRUM pelos membros e acadêmicos sul-africanos Mziwoxolo Sirayi e Bongani Khonjwayo. Sirayi, que atuou em várias funções de liderança e consultoria relacionadas à igreja, juntamente com sua carreira acadêmica, e Khonjwayo, um membro antigo da igreja com experiência em governança e estruturas administrativas, trazem perspectivas moldadas por seu envolvimento na vida da igreja e nos processos organizacionais. Em seu texto, os autores afirmam que o apelo levanta preocupações mais amplas sobre responsabilidade financeira, governança, mordomia cristã e liderança dentro da Associação.
Entre as preocupações levantadas estão como a dívida se acumulou, se os membros foram adequadamente informados sobre a posição financeira da Associação e quais mecanismos de supervisão estavam em vigor durante os anos em que o déficit se desenvolveu. O comentário também questiona se os membros receberam informações suficientes sobre as causas da dívida e as reformas necessárias para restaurar a confiança na gestão financeira da Associação.
Os autores explicaram que, embora os membros possam estar dispostos a apoiar financeiramente a igreja, muitos buscam maior transparência sobre como os fundos anteriores foram gerenciados e como a Associação planeja fortalecer sua transparência no futuro.
Para alguns membros da igreja, a controvérsia atual não está sendo vista como uma questão financeira isolada. Em vez disso, está sendo ligada a preocupações mais amplas sobre administração e liderança que surgiram durante a 15ª Assembleia Ordinária da TOC, em outubro de 2025.
Em um documento separado compartilhado com a SPECTRUM, Sirayi e Khonjwayo alegaram que ocorreram irregularidades processuais durante a eleição dos administradores da Associação, incluindo o uso de votação em bloco para presidente, secretário-executivo e tesoureiro. Os autores argumentaram que o processo se desviou das práticas estabelecidas da IASD, nas quais os indicados são geralmente votados individualmente.
O documento também alega que as oportunidades para os delegados levantarem objeções ou buscarem esclarecimentos sobre os indicados foram limitadas durante a sessão. Segundo os autores, essas preocupações contribuíram para a percepção entre alguns membros de que a administração da Associação estava se tornando menos transparente e menos responsiva à contribuição da membresia.
As alegações não foram verificadas independentemente pela SPECTRUM, e a TOC ainda não respondeu a perguntas sobre as reivindicações. No entanto, as preocupações levantadas no processo eleitoral de 2025 fornecem um contexto importante para entender por que alguns membros agora veem o apelo de resgate financeiro por uma lente mais ampla de governança e transparência, e não apenas como uma questão financeira.
Os apoiadores da atual liderança podem dizer que os problemas financeiros começaram antes de assumirem e que o pedido de resgate é uma tentativa de corrigir problemas do passado. Os críticos, no entanto, argumentam que a situação atual mostra a necessidade de maior abertura sobre as decisões tomadas antes e agora.
O pedido de resgate abriu uma conversa mais ampla sobre supervisão financeira, governança e responsabilidade dentro da TOC, a maior associação adventista na África do Sul. Embora a liderança da Associação tenha pedido aos membros que apoiem seus esforços de recuperação, alguns membros também buscam respostas sobre como o déficit se desenvolveu e quais salvaguardas serão implementadas para evitar uma recorrência.
A SPECTRUM entrou em contato com a TOC e a SAU para comentar sobre o déficit relatado, o pedido de resgate e as preocupações levantadas por membros e fontes. Quaisquer respostas serão incluídas em futuras coberturas.




