Declaração de Donald Trump encorajando a guarda do sábado chama a atenção de adventistas e alimenta especulações escatológicas


Por Stanton Witherspoon | Traduzido e adaptado do original em inglês para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org

No dia 4 de maio de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu uma proclamação reconhecendo maio como o Mês da Herança Judaico-Americana, dando continuidade a uma prática pioneira estabelecida em 2006, durante o governo do presidente George W. Bush. Mas, ao contrário das proclamações anteriores, a declaração de Trump para 2026 rapidamente chamou a atenção on-line devido à sua referência explícita a um “sábado nacional” e ao seu apelo para que estadunidenses “de todas as origens” se unissem em gratidão, oração e reflexão durante uma celebração nos dias 15 e 16 de maio.

“Em homenagem especial aos 250 gloriosos anos da independência americana”, declarava a proclamação, “os judeus americanos são encorajados a observar um sábado nacional. Do pôr do sol de 15 de maio ao anoitecer de 16 de maio, amigos, famílias e comunidades de todas as origens podem se reunir em gratidão por nossa grande nação.”

Embora a proclamação não estabeleça uma lei ou uma observância religiosa obrigatória, a expressão “sábado nacional” se espalhou rapidamente pelas redes sociais, pelos canais de comentários do YouTube e pelos ministérios focados em profecias—especialmente entre o público adventista do sétimo dia, historicamente atento a questões envolvendo a observância do sábado, as relações entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

Algumas vozes adventistas online consideraram a proclamação um reconhecimento público incomum do sábado por um presidente dos EUA. Outras alertaram contra interpretações sensacionalistas, ressaltando que a proclamação não tem força legal, nem aplicabilidade civil. Uma das reações mais assistidas foi a de Bradley Burnham, o fundador de Strange Normal, um ministério independente dentro da comunidade adventista. Em cinco dias, o comentário de Burnham no YouTube sobre a proclamação ultrapassou 230.000 visualizações.

No vídeo, Burnham explicou que o decreto era historicamente significativo porque fazia referência específica ao período do sábado: da noite de sexta-feira à noite de sábado. “Quando foi a última vez em que um presidente em exercício dos Estados Unidos convocou todos os americanos a observarem o sábado?”, perguntou Burnham. “A resposta é: nunca.”

Burnham concentrou-se no apelo da proclamação a que “todos os americanos” celebrassem sua fé e liberdade, “especialmente no Shabat”, explicando que a redação ampliava o convite para além dos judeus americanos. Ao mesmo tempo, Burnham alertou os telespectadores para que não considerassem a proclamação um cumprimento de Apocalipse 13 ou uma representação da “marca da besta”.

“Esta proclamação não é Apocalipse 13”, disse ele, observando que o documento usa linguagem voluntária, como “encorajado” e “pode se reunir”, em vez de coerção ou imposição.

Ainda assim, Burnham sugeriu que o decreto poderia estabelecer um precedente para futuras observâncias religiosas apoiadas pelo governo. “O primeiro passo não é o decreto dominical”, disse ele. “O primeiro passo é o governo federal criar espaço. É abrir espaço para que a observância religiosa seja coordenada em nível nacional.”

Outro ministério independente que se manifestou sobre o assunto foi o Pathway to Paradise Ministries, liderado pelo palestrante e diretor Tim Rumsey. Em outro vídeo no YouTube, Rumsey argumentou de forma semelhante que a proclamação não era uma lei do sábado, uma vez que não previa penalidades legais nem mecanismos de aplicação. No entanto, Rumsey afirmou que a proclamação ainda era significativa, porque criou o que ele descreveu como “um precedente legal” para que futuros presidentes designassem um “sábado nacional ou dia nacional de descanso”.

Rumsey também criticou a descrição do sábado na proclamação como uma “tradição judaica sagrada”, argumentando que o sábado é anterior ao judaísmo e foi “feito para o homem”, fazendo referência à declaração de Jesus nos Evangelhos.

Essas e outras reações on-line refletem o interesse de longa data dos adventistas em questões relacionadas à intervenção do governo na religião. Historicamente, os adventistas têm promovido a liberdade de consciência, ao mesmo tempo que ensinam que o sábado, o sétimo dia da semana, permanece uma instituição bíblica estabelecida na Criação, antes mesmo da existência da nação judaica.

A declaração mais abrangente da Casa Branca focou-se principalmente na história judaico-americana, fazendo referência à carta de 1790 do Presidente George Washington à Congregação Hebraica em Newport, Rhode Island, na qual ele prometia liberdade religiosa e proteção contra a perseguição, bem como esforços contínuos para combater o antissemitismo. Trump afirmou que seu governo estava “combatendo agressivamente a violência contra os judeus americanos” e trabalhando para acabar com “o flagelo do antissemitismo em todas as nossas instituições, especialmente nos campi universitários”. Ele também descreveu a liberdade religiosa como “um direito sagrado que continua a guiar nossa nação”.

Mas, para muitos espectadores online focados em profecias adventistas, a expressão que se destacou foi uma só: “sábado nacional”.