Manifestação em frente à Casa Branca, contra a guerra no Irã e injustiças sociais, conta com a presença de muitos adventistas
Por Tiara Best | Traduzido e adaptado do original em inglês para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org
Na segunda-feira, dia 11 de maio, líderes de diversas denominações e religiões, membros leigos e “pessoas de consciência” se reuniram para o que foi chamado de Segunda-feira Moral, descrita como uma “declaração de não violência e uma oração de comprometimento”. Organizada pela organização Repairers of the Breach, do pastor e ativista social William Barber, a reunião ocorreu em frente à Casa Branca, em Washington, D.C., como um testemunho público contra o que os participantes chamaram de “guerra profana”, bem como contra formas contínuas de violência social.
As Segundas-feiras Morais começaram em 2013, na Carolina do Norte, como uma série de manifestações contra políticas e ações governamentais consideradas injustas e desumanas, particularmente promovidas por autoridades eleitas. Essas manifestações buscavam convocar pessoas de fé e consciência à responsabilidade moral e à ação pública em resposta à injustiça sistêmica.
Esta Segunda-feira Moral em particular, no entanto, serviu como um ato pela paz, convocando clérigos de todas as tradições religiosas a se unirem em solidariedade contra a guerra e políticas consideradas prejudiciais a comunidades vulneráveis. Os participantes se manifestaram contra a guerra no Irã, classificando-a como ilegal e violenta e defendendo a realocação dos gastos militares para o atendimento de necessidades e crises internas urgentes. O evento também denunciou os cortes propostos em sistemas essenciais de suporte social, como — mas não se limitando a — Programa de Assistência Nutricional Suplementar, Medicare e Medicaid, além de outros esforços para garantir salários dignos que ajudem a prevenir o aumento da pobreza.


Negar aos seres humanos seus direitos fundamentais, incluindo o direito ao voto, também foi identificado pelos participantes como uma forma de violência que priva o povo de poder. O encontro enfatizou que tais políticas oneram desproporcionalmente os já marginalizados. Ele destacou palestrantes de diversas tradições religiosas e origens, cada um compartilhando sua crença nas verdades universais e fundamentais sobre a dignidade humana, o valor e os direitos fundamentais estabelecidos na Constituição dos EUA.
A Adventist Peace Fellowship [“Irmandade Adventista pela Paz”, em português], representada pela diretora executiva Claudia Allen e pelo membro do conselho Stephen Erich, uniu-se à Repairers of the Breach neste esforço para mobilizar líderes religiosos e comunidades em protesto contra esses atos de violência social. Em particular, o evento clamou pelo fim da guerra e defendeu a realocação de verbas militares para o atendimento de necessidades e crises internas urgentes. A manifestação buscou amplificar as vozes de pessoas diretamente impactadas pela violência e fortalecer líderes religiosos comprometidos em catalisar mudanças significativas que reflitam uma sociedade com “consciência”.
Allen fez uma declaração, comparando as decisões administrativas do governo dos EUA ao “dragão” de Apocalipse 13 e ecoando advertências proféticas contra uma falsa paz. Ela criticou sistemas que justificam a violência enquanto negligenciam as necessidades humanas, afirmando: “O dragão diz: ‘Vamos punir os pobres e chamar isso de nacionalismo cristão’”, e alertou contra declarações de “paz, paz, quando não há paz”. Ela também apontou a contradição entre gastos militares gigantescos e necessidades sociais não atendidas, como o acesso à saúde.
Erich acrescentou que “os adventistas podem oferecer uma interpretação teologicamente fundamentada de Apocalipse 13 que ressoe com um público muito mais amplo”, uma interpretação que não precisa ficar confinada a uma “preocupação individualista ou puramente evangelística”, mas que pode, em vez disso, se tornar uma “teologia construtora de pontes”, estendendo-se além de seu alcance atual.

Adventistas de diversas associações regionais estiveram representados no encontro, incluindo membros leigos e líderes da Associação Potomac, da Associação Chesapeake e da Associação Allegheny East, cujo presidente, Trevor Kinlock, também compareceu. Kinlock afirmou: “Estamos aqui porque, como cristãos, é nossa responsabilidade sermos pessoas de ação na esfera pública, defendendo nossos valores de paz, amor e justiça.” Ele acrescentou que esse engajamento é especialmente pertinente à luz da escatologia adventista. Acreditando que estamos vivendo no “tempo do fim”, ele enfatizou que é precisamente neste momento que a igreja deve se levantar para ser o “sal e a luz da terra”.
Ao ouvir a opinião dos participantes adventistas, vários temas emergiram, sendo os mais proeminentes a solidariedade e a urgência — solidariedade em se posicionar como testemunhas morais contra a violência contínua que é permitida e sustentada por líderes políticos, e urgência enraizada nas convicções escatológicas adventistas a respeito dos eventos dos últimos dias. Para muitos, essa manifestação foi além do que costuma ser descartado como meras preocupações políticas. Como refletiu a pastora local, Darnisha Thomas, “quero estar do lado certo da história”, um sentimento que capturou a convicção moral compartilhada por muitos dos presentes.
Braun Jacobs, pastor sênior da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Capitol Hill, observou que os adventistas muitas vezes têm uma “aversão” a se envolver na esfera pública. No entanto, ele enfatizou que as questões enfrentadas não são meramente políticas, mas “questões morais — e é com isso que precisamos nos envolver”. Muitos participantes compartilharam essa crença: que um testemunho moral fiel exige não uma observação passiva, mas uma resistência ativa à violência em todas as suas formas.
Enquanto as “Segundas-feiras Morais” continuam em Washington, D.C., e em todo o país, o encontro apontou para um movimento mais amplo enraizado na não violência, na responsabilidade moral e na ação pública.




