Por Ronald Lawson | Sociólogo adventista australiano e colunista da revista Zelota.

A poligamia tem sido o problema mais complexo, desconcertante e persistente relacionado ao casamento, encontrado pelas igrejas em seu esforço missionário. Os maiores problemas foram encontrados no continente Africano, onde essas formas de casamento eram mais comuns. Dividirei minha apresentação em três segmentos: (1) o primeiro irá esclarecer os termos-chave que serão usados ​​e considerar as funções desempenhadas pela poligamia nas sociedades tradicionais africanas; (2) o segundo irá explorar como as várias missões cristãs que precederam os adventistas na África lidaram com os convertidos poligâmicos; (3) o terceiro considerará como os adventistas se relacionavam com os convertidos que já estavam envolvidos em casamentos pluralistas, e como isso mudou com o tempo.

A palavra poligamia se refere a uma cultura ou situação em que uma pessoa tem mais de um cônjuge simultaneamente. Existem dois termos mais específicos que se enquadram nessa categoria geral: “poliginia” é a forma de poligamia em que um homem tem várias esposas; “poliandria” é a forma em que uma mulher tem vários maridos. A poliginia é muito mais comum que a poliandria: é encontrada em muitas partes da África, Ásia e Papua-Nova Guiné. Até onde eu sei, a poliandria é encontrada apenas nas terras altas do subcontinente indiano e em um pequeno grupo de ilhas no norte do Pacífico. Dos exemplos de poligamia nas Escrituras Hebraicas, heróis como Abraão, Jacó, Davi e Salomão praticavam a poliginia; e quando Paulo instruiu a igreja primitiva que um presbítero deveria ser “marido de uma só mulher”, ele parece também ter descartado candidatos políginos. Usarei o termo “poligamia” nesta apresentação porque é a palavra mais conhecida, mas na verdade todos os casos serão políginos.

Deixe-me apresentar dois outros termos, “patrilinear” e “matrilinear”. Em uma sociedade patrilinear, a linhagem masculina é a chave: quando um homem se casa, o grupo de parentesco da esposa recebe o preço da noiva [comumente conhecido como “dote”] e ela se muda para a comunidade do marido; todas as crianças pertencem ao grupo de seu pai. Se a esposa é divorciada, uma ocorrência rara em tal comunidade, ela é separada desta, inclusive de seus filhos, e não pertence a lugar nenhum. As sociedades patrilineares são de longe as mais comuns na África, e é entre elas que a poligamia floresceu. Em contraste, em uma sociedade matrilinear, a linhagem da mãe é central e geralmente enfatiza seu tio; o marido é uma figura bastante insignificante, e os divórcios são muito mais comuns. A poligamia é rara nesse caso.

Função da poligamia em sociedades tradicionais africanas

Como a poligamia muitas vezes é intrínseca ao modo de vida de uma sociedade tradicional como um todo, ela tem ramificações econômicas, sociais, políticas e religiosas. A poligamia era uma forma legal de casamento e florescia nas áreas rurais. Era um meio de fortalecer a linhagem, criando uma rede de alianças para o grupo de parentesco e garantindo a mão de obra necessária para cultivar a terra. Ela atendia às necessidades das mulheres em uma sociedade na qual, por causa das guerras entre etnias, elas podiam superar em muito os homens, e ainda assim era impensável que mulheres solteiras e viúvas vivessem sozinhas, onde o divórcio muitas vezes não era tolerado, pois os casamentos eram celebrados por grupos de parentes em vez de indivíduos, onde a procriação era mais valorizada e era o principal objetivo do casamento; e o fardo da falta de filhos era fortemente sentido. O sistema protegia os necessitados e assegurava que nenhuma criança fosse ilegítima, permitindo que os homens mais privilegiados tomassem as mulheres excedentes e estabelecessem famílias poligâmicas. Por exemplo, quando uma igreja se recusa a permitir que um membro entre em um casamento levirato com a viúva de seu irmão (um sistema que também foi estabelecido entre os hebreus em Dt 25.5), ela destrói os mecanismos daquela sociedade que auxiliam a viúva e os órfãos.

Foi estimado que em 1970, logo após o fim do período colonial na África, mais de 20% das famílias eram poligâmicas em 75% das sociedades africanas, e que o número médio de esposas a cada 100 homens casados era 150 ​​na África Subsaariana [parte do continente africano situada ao sul do Deserto do Saara]. Embora as mudanças econômicas e sociais, especialmente aquelas associadas à urbanização, tenham reduzido gradualmente a incidência da formação de tais casamentos desde então, a poligamia continua a ser uma preocupação central para as igrejas na África.

As missões cristãs e os convertidos poligâmicos na África

O cristianismo cresceu em um mundo basicamente monogâmico. A primeira declaração cristã oficial sobre a poligamia foi feita em 1201, quando o bispo de Tibério perguntou ao Papa Inocêncio III se os convertidos poligâmicos deveriam ficar com todas as esposas ou apenas uma, e com qual delas. O Papa insistiu na monogamia estrita, chamando as uniões poligâmicas de adúlteras, e recusou o batismo a qualquer pessoa em um casamento poligâmico. A Igreja Católica não enfrentou uma sociedade amplamente poligâmica até que os missionários entraram na Ásia e na América no século 16, e os protestantes no século 19 — primeiro, em uma extensão mais limitada, em partes da Ásia e, em seguida, muito mais disseminada, na África. Ambos fizeram o que estavam acostumados em suas culturas monogâmicas ocidentais. No entanto, suas políticas se mostraram destrutivas.

Quando a Igreja Anglicana abordou o assunto na África Ocidental em meados do século 19, os missionários tinham pouca teologia do casamento e pouca compreensão da relatividade dos padrões sociais (os antropólogos, por exemplo, ainda não haviam estudado sobre casamento). Seu conceito de casamento cristão era o que conheciam em casa. Eles consideravam grande parte da vida africana como imoral e condenável, especialmente a poligamia e a riqueza das noivas, e eram quase universalmente repelidos pela prática. Os missionários, muitas vezes, presumiam que a luxúria era o verdadeiro motivo da poligamia. Visto que as uniões poligâmicas eram vistas como adúlteras, as missões não hesitaram em decretar que esses casamentos deveriam ter um fim abrupto se os parceiros desejassem se tornar cristãos. Assim, eles transformaram as boas novas do evangelho em más notícias. Em 1857, Henry Venn, secretário da Church Missionary Society (Sociedade Missionária da Igreja), redigiu um memorando que influenciaria o debate no século seguinte. Sua declaração principal era: “um polígamo não pode ser legalmente admitido pelo batismo na Igreja de Cristo.” No entanto, alguns missionários individuais passaram a compreender melhor a situação humana e a ter dúvidas.

Em 1888, o assunto estava tão turbulento que foi levado à Conferência de Lambeth, o órgão máximo da Igreja Anglicana. Os bispos votaram que os homens poligâmicos não deveriam ser batizados como cristãos, mas mantidos sob instrução até que estivessem em posição de se conformar à lei de Cristo. Essa posição teve grande e contínua influência, não apenas entre os anglicanos na África, mas também entre outros protestantes na região, embora várias igrejas continuassem a batizar polígamos na Ásia, especialmente na China. Assim, a política da igreja transformou a poligamia no pecado imperdoável: somente o divórcio poderia qualificar os polígamos reformados para a entrada e comunhão no reino de Deus. O documento de Lambeth foi menos inflexível em relação às esposas polígamas, permitindo seu batismo em algumas circunstâncias, sendo estas deixadas para a decisão local.

As diretrizes geralmente apresentavam ao polígamo convertido  duas opções. A primeira, que era inicialmente a prática mais comum, era que ele deveria repudiar todas, exceto uma de suas esposas antes de ser batizado (havia outra variação aqui, pois enquanto alguns insistiam que a primeira esposa fosse a escolhida , outros permitiam que ele escolhesse qualquer uma de suas esposas). Essa escolha era dolorosa para o núclo, muitas vezes separando as esposas descartadas de seus filhos e deixando algumas tão desamparadas que eram forçadas a recorrer à prostituição para sobreviver. Embora as esposas expulsas fossem elegíveis para o batismo, o resultado final da política era que elas geralmente ficavam isoladas do cristianismo.

Com o passar do tempo, os protestantes passaram a ver as uniões poligâmicas não como adultério, mas como uma forma inferior de casamento que, caso forçado a um divórcio, provavelmente resultaria em um alvoroço inaceitável. Muitos concluíram que era melhor mantê-los, embora representasse um obstáculo intransponível para o batismo. Consequentemente, o pêndulo oscilou cada vez mais em direção à segunda alternativa, sob a qual todas as esposas eram elegíveis para o batismo, mas o homem era mantido esperando, sem batismo, às margens da igreja, até que a morte de uma esposa ou esposas o deixasse com apenas uma cônjuge.

Os católicos, por sua vez, estavam mais firmemente convencidos de que as relações poligâmicas eram adúlteras e, portanto, não eram casamentos legítimos. Consequentemente, a solução tradicional deles era semelhante à primeira escolha listada acima — o polígamo deveria  abandonar todas, exceto uma de suas esposas, antes de ser batizado. A questão da possibilidade de batizar as esposas, e em quais condições, nunca foi levantada. A preocupação era com o batismo do homem.

Durante o século 20, o problema se agravou quando muitas igrejas africanas independentes, que aceitavam membros poligâmicos, começaram a surgir na África Ocidental, à medida que as missões se tornaram mais conscientes dos danos que suas políticas estavam causando aos africanos poligâmicos. Por exemplo, percebeu-se que as famílias frequentemente se recusavam a permitir os divórcios exigidos pelas igrejas, e que os esforços para ter um marido apoiando sua esposa e filhos sem ter um relacionamento sexual criava tensões enormes que frequentemente terminavam em gravidez. Estudos recentes demonstraram que a família tradicional estava se desintegrando nas áreas urbanas em expansão. A política cristã em relação à poligamia foi considerada parcialmente responsável por isso: ela ensinou a muitas sociedades a possibilidade do divórcio. Com o colapso da família em todos os lados, não parecia mais tão evidente para as igrejas que as famílias poligâmicas deveriam ser separadas. Em vez disso, várias igrejas começaram a ver como sua principal responsabilidade promover a fidelidade e a estabilidade conjugal. Portanto, eles começaram a repensar toda a questão à luz das circunstâncias contemporâneas.

A política e a prática começaram a mudar nas décadas após a Segunda Guerra Mundial — lentamente a princípio, mas depois em um ritmo crescente. A primeira igreja ligada à missão a decidir batizar homens poligâmicos foi a Igreja Evangélica Luterana da Libéria, em 1951. Um seminário para toda a África sobre o lar e a família cristã, em 1963, recomendou que famílias poligâmicas inteiras pudessem ser batizadas e admitidas à comunhão. Isso levou a um período de intensa discussão e a várias missões menores agindo de acordo com a recomendação. No entanto, as missões maiores não cederam. Novos artigos e livros incentivando o batismo de polígamos começaram a aparecer com mais frequência nos círculos católicos, e também nos protestantes.

Em 1970, os Arcebispos Anglicanos da África encomendaram um relatório sobre o casamento cristão na África. O casamento poligâmico foi definido como “não uma série de relações sexuais frouxas, mas de simultâneos contratos de uniões estáveis sob uma forma de lei reconhecida pelo povo do país, celebrada com uma intenção vitalícia, e fornecedora de um lar permanente e um status legítimo para a prole […] Acabar com um casamento poligâmico em nome de Cristo, que nada disse explicitamente para condená-lo, às custas de realizar um divórcio, que Cristo proibiu explicitamente, é pagar um preço muito alto para alcançar uma conformidade teórica com parte do padrão cristão de casamento.” Também foi notado que os homens cristãos se sentiam obrigados a se divorciar de uma esposa estéril em vez de simplesmente acrescentar outra, aprendendo assim a prática americana da monogamia serial. Mais tarde, também ficou óbvio que a rejeição da poligamia resultou em muito mais adultério, Infecções Sexualmente Transmissíveis. O estudo anglicano, portanto, recomendou o batismo de famílias poligâmicas intactas que existiam antes da conversão. Os frutos deste estudo foram colhidos na Conferência de Lambeth de 1988, que, por iniciativa dos bispos da África Oriental, reverteu a proibição de batizar polígamos que não mantivessem apenas uma esposa. Os bispos argumentaram que a política existente resultou no abandono de mulheres e crianças ou na perda de convertidos a outras religiões. A resolução votada pela Conferência sustentou a monogamia como o ideal e proibiu os polígamos convertidos de tomarem outras esposas. Não disse nada sobre polígamos não serem capazes de ocupar cargos na igreja. Essas decisões da Conferência de Lambeth de 1988 claramente tornaram a Igreja Anglicana a vanguarda na tentativa de contextualizar a mensagem cristã para as culturas africanas.

Adventismo e poligamia

Os adventistas chegaram na África quando o trabalho missionário cristão já estava bem estabelecido. Os primeiros missionários adventistas foram enviados à África do Sul em 1887, e de lá se espalharam para o norte, para o sul e depois para a Rodésia do Norte (que agora são Zimbábue e Zâmbia) durante os 15 anos seguintes. Eles entraram na África Ocidental Inglesa, começando com a Costa Dourada (Gana), em 1894, África Oriental Alemã (Tanzânia) em 1903, Quênia em 1906 e Etiópia em 1907. As colônias francesa e belga não foram invadidas até depois da Primeira Guerra Mundial. No entanto, o evangelismo adventista tem sido especialmente bem-sucedido no continente africano: no final de 2019, 44,4% de seus 21,6 milhões membros eram africanos.

Tendo em vista que os adventistas se consideravam a igreja remanescente de Deus, eles mantiveram seus esforços missionários bem separados dos de outras igrejas. Consequentemente, eles desenvolveram suas próprias respostas à poligamia. No entanto, como seus missionários também eram oriundos da Europa e da América, e eles frequentemente estavam muito conscientes de sua reputação junto aos principais grupos religiosos, suas políticas frequentemente refletiam as práticas de outras missões. Eles estavam cautelosos para que as medidas adotadas não fossem consideradas muito inferiores aos outros grupos.

Os adventistas seguiram um percurso errático quanto à poligamia por várias décadas. Sua primeira tentativa de chegar a um consenso sobre uma política para convertidos polígamos foi feita em 1913, quando os missionários presentes na sede da Associação Geral (AG)em Washington [alguns edifícios tinham um endereço em Maryland e outros em Washington]foram chamados para uma “mesa redonda”, a fim de discutir uma recomendação elaborada por um “comitê da poligamia em terras pagãs”. A discussão revelou variações consideráveis ​​na prática. Enquanto a maioria das missões adventistas recusava o batismo de polígamos, os adventistas na Índia mantinham a prática em algumas de suas missões, batizando polígamos convertidos, mas não permitindo que ocupassem cargos de destaque na igreja. Havia grandes diferenças na maneira como as esposas envolvidas em um casamento poligâmico eram tratadas. Enquanto a maioria das missões encorajava os polígamos a repudiar suas esposas adicionais, na Coréia e na África do Sul era exigido que o homem sustentasse todas as suas esposas enquanto vivia com apenas uma delas. Os missionários da China e de Java, na Indonésia, acusaram a insistência no divórcio de ser injusta com as mulheres e crianças. O grupo eventualmente recomendou que quando um homem polígamo se tornasse cristão “ele fosse aceito na igreja, com a condição de sustentar todas as suas esposas e filhos, mas que vivesse apenas com sua primeira esposa legítima”; ele não seria elegível para ocupar um cargo na igreja. Da mesma forma, uma esposa plural precisaria se separar de seu marido antes de ser admitida como membro. Ou seja, nenhum candidato a convertido que continuasse a viver em poligamia poderia ser batizado. Embora a recomendação original feita ao grupo permitisse que esposas que não conseguissem obter o divórcio de seus maridos fossem aceitas como membros, isso foi rejeitado quando os missionários relataram que outras igrejas missionárias não tolerariam isso. Essas recomendações foram então votadas pela AG como diretrizes aos missionários no campo.

No entanto, as diretrizes de 1913 falharam em alcançar uma prática uniforme entre as missões adventistas. A extensão da diversidade na prática foi revelada por uma segunda mesa redonda missionária realizada em 1926. A principal diferença era entre duas das divisões da Igreja, cada uma das quais com uma base doméstica dominada pelo Ocidente e encarregada de um “campo missionário” na África. Esta assembleia foi convocada logo após a Divisão Africana, sediada na África do Sul e com um campo missionário que se estendia até o norte do Congo, adotar uma Política de Trabalho liberal para  polígamos convertidos. Isso foi feito depois que W. H. Branson, o presidente da Divisão, percebeu o peso da oposição entre alguns povos à imposição do divórcio em famílias poligâmicas, e descobriu a variedade de respostas à poligamia em seu território socialmente diverso. Como a Divisão incluía sociedades matrilineares e patrilineares, em algumas partes o divórcio era fácil e em outras impossível: “Por essa razão, concordamos em fazer concessões, e concordamos em batizar aqueles que a Igreja tiver conhecimento”; entretanto, “de acordo com as Escrituras”, tais membros não eram elegíveis para ocupar cargos na igreja. Em contraste, a Divisão Europeia, cujo campo missionário abrangia a maior parte da África Ocidental e Oriental, que era principalmente patrilinear e altamente poligâmica, obedeceu estritamente a Declaração de 1913 e, portanto, não batizou nenhum polígamo praticante. Embora fosse sensível aos problemas humanos e sociais causados ​​pela exigência de que as pessoas rompessem suas uniões poligâmicas — seu porta-voz referiu-se à “necessidade de recusar o batismo a polígamos genuinamente convertidos como uma de suas experiências mais tristes na África” — eles sentiam que a concessão era muito perigosa nesta ‘fortaleza do paganismo’”. A prática da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre o assunto também foi dividida na Ásia, onde polígamos foram batizados na Índia, mas não na maioria das Divisões do extremo Oriente e na China.

A  Assembleia Geral de 1926 revelou uma divergência tão grande entre opinião e prática que os líderes da IASD decidiram nomear uma comissão “para estudar cuidadosamente a questão da poligamia e a posição que deveria ser tomada em relação a ela”. Uma resolução conservadora foi redigida, revogando a nova política da Divisão Africana, que recebeu a mais alta autoridade quando foi aprovada pela AG em sessão: a partir de agora, “de forma alguma um homem que vive em poligamia deve ser admitido no rol de membros da Igreja”.

Por exemplo, um de seus missionários enviou para a AG um manuscrito argumentando veementemente contra a política de separar famílias, enfatizando as “dificuldades e as consequências degradantes que as mulheres nativas suportam quando são forçadas a abandonar suas casas e muitas vezes seus filhos, no momento em que elas são deixadas por seus maridos quando eles aceitam a fé cristã”. O apelo da Divisão teve sucesso em criar uma comissão indicada para estudar a “Poligamia entre as Etnias Primitivas”, com Branson como um dos três membros da comissão. O relatório desta comissão foi tratado com tanta urgência que foi levado para o  Concílio Anual da AG em 1930, em vez de esperar até a Assembleia Geral de 1932. A resolução votada ali reverteu dramaticamente a decisão de 1926, permitindo o batismo de convertidos polígamos nas culturas onde os costumes da etnia resultariam em “grande injustiça” para esposas inocentes rejeitadas e seus filhos. Isso deu à IASD uma política que era muito mais liberal do que as das principais igrejas missionárias na África, e notavelmente independente de seus pontos de vista. No entanto, as Divisões Europeias rejeitaram esta política com o fundamento de que uma decisão tomada  numa Assembleia Geral havia sido anulada por um órgão inferior, e continuou a aderir à decisão mais restritiva de 1926.

Foi fácil para os extremistas levantarem oposição a uma política liberal para a poligamia nos Estados Unidos e na Europa. Um elemento importante no argumento da oposição era que a posição liberal dava a outras missões um motivo para reclamar de que os adventistas “pegavam leve” com a poligamia. Os líderes da IASD, movidos pela restrição, estabeleceram outra comissão de estudo, que resultou na votação de novas resoluções na Assembleia Geral de 1941. Isso teve o efeito de reverter a política de 1930. A nova posição afirmava que “um homem que for encontrado vivendo em estado de poligamia quando o evangelho chegar a ele, será solicitado a mudar sua condição após a conversão, repudiando todas as suas esposas, exceto uma, antes de ser considerado elegível para o batismo e se tornar membro da igreja”. A fim de reforçar a unidade e superar a situação anterior em que existiam duas políticas rivais, as resoluções declararam que a nova política “substitui todas as políticas anteriores sobre poligamia”.

A IASD, portanto, estabeleceu essa postura conservadora apenas alguns anos antes que tais regras fossem submetidas a uma análise crítica dentro da comunidade cristã mais ampla na África. Essa política ainda é a sua posição oficial.

Prática Atual

Em quase todos os lugares, a primeira opção mencionada pelos adventistas que entrevistei na África é que o homem polígamo se divorcie de todas as esposas, exceto uma, antes que o batismo seja permitido. Alguns se referiram a um período de espera adicional antes do batismo para garantir que tal homem cumpra sua decisão. Em algumas áreas, espera-se que ele continue a apoiar as esposas que expulsou.

No entanto, como a experiência na maior parte da África demonstra que os maridos não querem ou não podem se divorciar de suas esposas, uma segunda opção era geralmente listada. Com isso, as esposas que se convertem são batizadas (geralmente não são consideradas polígamas porque têm apenas um marido), mas seu marido é mantido em uma situação deplorável às margens da igreja, sem batismo ou acesso à santa ceia, geralmente como membro da Escola Sabatina. É esta segunda opção que se torna cada vez mais utilizada. Na verdade, na Nigéria esta se tornou a única prática, sem nenhuma tentativa de persuadir o marido a se divorciar de suas esposas. No Zimbábue, a política é interpretada de forma mais estrita: se for escolhida a segunda opção, apenas a primeira esposa é batizada, com o argumento de que ela é a única inocente.

Abaixo desse padrão está outra camada de diversidade, que apareceu ao longo da história adventista na África. Este é o grau de flexibilidade permitido ou encorajado por figuras influentes da igreja — inicialmente missionários, frequentemente tornando-se administradores — em diferentes áreas. Um missionário relatou que “sempre tentamos não perturbar uma família quando os filhos são pequenos”; outro falou sobre um presidente de Divisão que costumava dizer que todos os envolvidos deveriam ser batizados a fim de evitar maior constrangimento  — mas que nunca oficializou isso por escrito. Embora alguns administradores tenham tentado cumprir as diretrizes ao pé da letra, outros, observando os desastres humanos que essas ações causaram, aprenderam a recuar.

Quando pedi aos entrevistados que avaliassem a política implementada, suas avaliações diferiram consideravelmente. Embora os administradores estivessem divididos, em geral eles eram mais positivos. Os pastores também estavam profundamente divididos, geralmente de acordo com a idade. No entanto, a maior parte dos leigos, e especialmente os professores em todos os níveis, falaram negativamente da política oficial. As avaliações diferiram a ponto de serem pólos opostos, em quão bem as esposas rejeitadas eram cuidadas e com que frequência as esposas sustentadas por seus ex-maridos engravidavam deles: administradores tendiam a transmitir relatos favoráveis, enquanto pastores, muito mais imersos no sistema que era posto em prática, citavam muitos exemplos de ex-esposas engravidando caso seus ex-maridos concordassem em sustentá-las, ou de esposas abandonadas sendo separadas de seus filhos e ficando desamparadas a ponto de recorrerem à prostituição.

Quando o divórcio é imposto ou escolhido, os adventistas geralmente permitem que o marido escolha livremente qual esposa será legítima, e esta geralmente é a mais jovem. As esposas não têm escolha aqui — nas palavras de um ex-presidente da União, “as esposas devem se submeter ao que o marido escolhe”. É muito triste para uma mulher ser expulsa na velhice, mas uma jovem não ser mais considerada uma esposa, especialmente quando não é elegível para um novo casamento, também deve ser devastador.

Frequentemente, é o marido mais zeloso que recusa a opção do divórcio. Embora suas esposas possam ser batizadas, tornar-se membros da igreja e participar da santa ceia, ele deve permanecer, na melhor das hipóteses, às margens da igreja enquanto seu casamento plural continuar. Ele é sempre um cidadão de segunda classe: seus dízimos e ofertas são esperados, mas ele deve ir embora no momento da santa ceia. Por não ser batizado, ele tem medo de estar perdido para sempre. A prática o deixa em um limbo espiritual, marginalizado pela comunidade de fé — uma situação quase insustentável para um membro de uma sociedade comunal. As comunidades não podem ser “uma em Cristo” quando existem duas condições distintas.

Não é de surpreender, então, que muitos maridos se cansem de sua situação ambígua e desapareçam da igreja, e que as esposas expulsas percam sua experiência de conversão e muitas vezes fiquem amarguradas com a igreja. Consequentemente, as crianças muitas vezes também se perdem para a igreja. O progresso do adventismo é lento entre os polígamos, sejam estes animistas ou muçulmanos. Os convertidos em potencial frequentemente rejeitam o convite adventista quando as regras relativas à poligamia são explicadas, voltando-se para as igrejas africanas nativas ou para o islamismo, onde famílias poligâmicas são acomodadas sem problemas. Isso muitas vezes deixa as IASD com um déficit de homens, então as mulheres precisam liderar — uma situação surpreendente em sociedades onde as mulheres são tradicionalmente vistas como inferiores. Isso também torna a IASD na África economicamente pobre, embora esteja crescendo rapidamente,  pois as mulheres geralmente só podem ofertar se seus maridos forem generosos com a causa, enquanto a política para a poligamia tende a excluir os homens mais ricos.

Diferenças, debates e demandas de mudança

As profundas diferenças entre os adventistas africanos reveladas nessas questões refletem um duro debate que está em andamento desde os anos 1970. A diferença mais clara era entre os pastores mais velhos e os mais jovens; esta foi fortalecida pelo fato de que os pastores mais velhos receberam muito menos educação formal. Estes últimos tendiam a ver a política que mantém os polígamos praticantes fora da membresia da igreja como um teste decisivo, no qual a igreja só poderia obter um perfil puro e nobre. Como eles têm interesse na política tradicional — suas próprias opções de casamento foram moldadas por ela — eles se sentiriam profundamente humilhados e traídos se ela fosse abandonada agora. Além disso, a aplicação dessa política lhes deu grande autoridade, que seria prejudicada se ela fosse alterada. A maioria dos administradores da igreja e um ou dois educadores também apoiaram a política, não querendo admitir a magnitude de seus problemas, argumentando que “ela é conhecida, bíblica e cristã” e que, uma vez que a prática está enfraquecendo diante das mudanças sociais, não há necessidade de mudar de posição. Vários explicaram que desejam manter o padrão, apesar dos registros da igreja americana sobre o divórcio.

Os pastores mais jovens, por outro lado, tendiam a considerar essa política como algo que fazia mais mal do que bem, como fatalmente falha e moralmente falida. Esses pastores conversam muito entre si sobre os problemas dessa política, criticando-a por sua falta de compaixão e seu impacto negativo na economia da igreja. Seus sentimentos são compartilhados por leigos educados, que escrevem frequentemente sobre o assunto para jornais da igreja, por uma série de seus administradores, pela maior parte dos missionários e por educadores proeminentes. Por exemplo, uma tese de Doutorado em Ministério, concluída pelo então presidente do Colégio Adventista na Nigéria, foi um apelo apaixonado à mudança: “A proclamação do evangelho deveria ameaçar a estabilidade familiar, romper convênios sociais e até mesmo separar mães de seus filhos? Não é possível, no mínimo, para a igreja permitir o batismo de um polígamo arrependido, santo e consagrado e de suas esposas, se o evangelho os alcançou nesta situação?”

Tentativas de mudar a política

O vigoroso debate entre os adventistas africanos durante os anos 1970 e início dos anos 1980 preparou o caminho para tentativas de mudar a política. O que antes eram três divisões foram combinadas na Divisão África-Oceano Índico [Africa-Indian Ocean Division — AID] em 1980, o que fez com que os vários graus de flexibilidade permitidos pelas administrações anteriores criassem uma diversidade considerável na prática. A necessidade de esclarecer a política na nova situação juntou-se ao descontentamento expresso com ela. Isso foi articulado inicialmente pela Divisão da África Oriental [East African Division — EAD], que elegeu seu primeiro presidente africano em 1980: Bekele Heye, da Etiópia. Ele me disse que “a política estava errada — a IASD estava forçando o divórcio, as mulheres eram abandonadas, privadas de suas casas e maridos legais. Isso não estava em harmonia com a Bíblia! Devíamos ter aceito os membros poligâmicos como os encontramos, com várias esposas, e simplesmente insistido para que não acrescentassem mais ninguém. Então, no Concílio Anual, eu chamei a atenção da Associação Geral”.

O presidente missionário da AID, Robert Kloosterhuis, juntou-se ao empreendimento por causa dos problemas que havia encontrado em seu novo território, e o presidente da AG, Neal Wilson, prestou seu apoio. Wilson sabia, por passar anos no Oriente Médio, que a política adventista para a poligamia era um grande problema entre os muçulmanos, que provavelmente só se converteriam como unidades familiares. Além disso, ele estava frustrado por uma política que declarava um grande número de convertidos inelegíveis para o batismo. Ele estava, portanto, interessado em buscar uma política alternativa. Essa busca tornou-se mais apropriada pelo fato de que outras missões cristãs estavam olhando novamente para o assunto. Os adventistas mostraram considerável interesse nas mudanças nas políticas das outras missões. Consequentemente, Wilson criou uma nova comissão no outono de 1981 para considerar as exigências que o adventismo fazia aos novos convertidos que já estavam em casamentos poligâmicos. No entanto, a comissão não conseguiu chegar a um consenso e houve vários pedidos de estudos adicionais. A comissão continuou por vários anos, durante os quais sua polarização se aprofundou.

Poucos americanos e europeus entendiam o problema; eles achavam a ideia da poligamia desagradável, e a perspectiva de admitir membros poligâmicos os fez temer pela reputação de sua igreja. No entanto, quando os africanos acusaram os ocidentais de apoiarem a monogamia em série na forma de divórcio generalizado e novo casamento em suas próprias Divisões, embora isso fosse claramente contra as declarações atribuídas a Jesus nos Evangelhos, e de não estarem dispostos a apoiar as famílias poligâmicas na África simplesmente porque eram muito estranhas à sua cultura, embora houvesse algum apoio bíblico a essa forma familiar, eles abrandaram sua oposição. As perspectivas de uma nova política ruíram quando a unidade africana se desgastou. Os pastores mais velhos, que tinham sido restritos a uma esposa pelas políticas da igreja, refrearam-se com a ideia de que os homens polígamos teriam permissão para reter suas esposas. Muitos pastores africanos também expressaram temor de que uma reviravolta nesta questão encorajaria os membros leigos a questionar outras posições mantidas pela igreja. Como resultado dessa oposição, a questão foi arquivada após o Concílio Anual de 1987.

Enquanto isso, entretanto, a prática adventista a respeito da poligamia mudou gradualmente, apesar do fracasso anterior em atualizar a política. Um número crescente de pastores e evangelistas silenciosamente mudou sua prática, estendendo a flexibilidade com a qual a política foi implementada em diferentes partes da África. Por exemplo, evangelistas americanos conduziram grandes cruzadas resultando em batismos tão numerosos que era impossível verificar se os convertidos eram poligâmicos. Um pastor comentou comigo: “Os evangelistas americanos estão atrás de números, não de santos”. Os administradores perplexos explicaram que era impossível desassociar esses conversos por situações que já existiam antes de serem batizados. Um número crescente de pastores locais, que também estavam sob pressão para cumprir metas mais elevadas para os convertidos, também escolheu batizar famílias inteiras. Alguns pastores me relataram que permitiram que polígamos ocupassem cargos em suas igrejas. Vários pastores relataram que haviam escolhido batizar homens polígamos que eram membros da Escola Sabatina há muito tempo quando parecia que suas mortes estavam se aproximando. Alguns acrescentaram que o fizeram sem informar os administradores, outros que os administradores, quando informados, optaram por ignorar. A lacuna entre a política oficial e a prática real continua a aumentar.

Resumo

Que fatores moldaram a política e a prática adventista?

1. Apesar da separação do Adventismo de outras missões protestantes, sua política para com os convertidos poligâmicos geralmente tem sido fortemente influenciada pelo consenso prevalecente entre elas. Os líderes adventistas não queriam parecer relaxados, então se sentiam confortáveis ​​quando as políticas adventistas estavam alinhadas com as de outras pessoas conservadoras importantes.

2. Os americanos viam os polígamos como estigmatizados — eles eram pecadores e perversos, da mesma forma que a maioria via os homossexuais. Visto que o adventismo está centrado nos Estados Unidos  , seus líderes estavam, sem dúvida, cientes do descrédito que a poligamia mórmon havia gerado ali.

3. Muitos, especialmente alguns que tomam decisões mais intimamente envolvidos, foram movidos pela compaixão às vítimas humanas dessa política. Embora esta tenha sido a motivação por trás das mudanças de política na Divisão Africana em 1926 e na Associação Geral em 1930, ela geralmente era expressa mais individualmente do que organizacionalmente. A menor prioridade atribuída à compaixão na maior parte do período é confirmada pelo fato de que embora a igreja estivesse pressionando os homens polígamos a expulsar suas esposas adicionais, a igreja fez pouco para ajudar as rejeitadas. De fato, um movimento dissidente rompeu com o adventismo no Zimbábue na década de 1950, porque seu líder estava muito desapontado com o fracasso da igreja em apoiar suas viúvas, que teriam se casado poligamicamente com parentes de seus maridos se a igreja não tivesse proibido o casamento levirato.

4. Quando os adventistas fracassaram em compreender as funções das uniões poligâmicas e, em vez disso, as rotularam como adúlteras, reagindo com repulsa à poligamia e exigindo que o marido expulsasse suas esposas, eles estavam deixando de contextualizar a mensagem cristã e impondo valores ocidentais aos africanos.

5. A história deste artigo mostra um número surpreendente de comissões investigando a política adventista e chegando a conclusões divergentes. Ela também mostra uma quantidade notável de flexibilidade individual dentro de um sistema hierárquico centralizado. Quando nos concentramos nas mudanças na prática em relação aos convertidos polígamos, ao invés do fracasso em mudar a posição oficial da igreja, o desejo de ser compassivo está ultrapassando cada vez mais as regras. Este padrão é semelhante à questão das pastoras, onde as mudanças na prática estão cada vez mais contornando as regras. Ele também reflete a mudança gradual não oficial em direção a um acolhimento compassivo aos membros LGBTQIAP+ e aos seus relacionamentos e famílias presentes nas escolas adventistas, nas igrejas e nas famílias do mundo desenvolvido.

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