Pesquisa global da Igreja Adventista revela que funcionários se identificam com a denominação, mas têm pouco compromisso com sua missão; salários baixos e falhas de liderança expõem a distância entre os ideais institucionais e a realidade do trabalho


Por Kevin R. McCarty | Traduzido e adaptado do original em inglês para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org

A Pesquisa de Obreiros Institucionais de 2025 (IWS, na sigla em inglês), produzida pela Secretaria de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa (ASTR) da Associação Geral (AG), fornece um panorama global dos funcionários adventistas do sétimo dia em setores como educação, saúde, administração e ministério. A pesquisa busca compreender as crenças, experiências e níveis de alinhamento dos obreiros com a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), oferecendo percepções valiosas para a reflexão institucional e o planejamento estratégico.

Um total de 13.669 obreiros participou em todo o mundo, com aproximadamente 7.800 respostas utilizadas em muitas das análises detalhadas. Esses participantes representam todas as 13 divisões globais da IASD e vêm de uma gama de contextos institucionais, incluindo escolas, hospitais, editoras, ADRA e meios de comunicação. Notavelmente, cerca de 84% dos entrevistados trabalham na educação, o que significa que as descobertas são fortemente moldadas por esse setor.

A pesquisa baseia-se primordialmente em dados de autodeclaração, que podem, às vezes, refletir respostas idealizadas. Também é de uma natureza fortemente quantitativa, enfatizando porcentagens, classificações em escala Likert e comparações entre divisões, enquanto oferece menos percepções sobre narrativas pessoais ou experiências vividas. Além disso, aproximadamente 45% de todas as respostas vêm da Divisão Sul-Americana (DSA), uma região que tende a demonstrar maior religiosidade e um alinhamento institucional mais forte. Como resultado, as médias globais podem mascarar níveis mais baixos de comprometimento em regiões como a América Norte e a Europa.

Esta pesquisa não trata apenas de números. Em sua essência, ela tenta responder a uma pergunta mais profunda e reveladora: As pessoas que trabalham para a IASD realmente acreditam e se alinham com sua missão?

Notavelmente, vários padrões fundamentais emergem. Primeiro, há evidências de um forte comprometimento global, embora ele seja desigual. Uma parcela significativa dos entrevistados relata altos níveis de comprometimento com a IASD global, muitas vezes na faixa superior da escala. No entanto, isso varia consideravelmente por região. Algumas divisões relatam níveis muito altos de forte comprometimento, enquanto outras, particularmente no mundo ocidental, mostram porcentagens visivelmente menores nas categorias mais altas. Isso sugere que o comprometimento não é uniforme e que o contexto cultural desempenha um papel significativo na formação do alinhamento institucional.

Segundo, a categoria “intermediária” é altamente significativa. Muitos entrevistados se concentram em níveis moderados de comprometimento, e não nos extremos. Isso indica que um grande número de funcionários está engajado, mas não profundamente convencido. O pertencimento institucional, neste caso, não equivale necessariamente a um forte alinhamento teológico ou ideológico.

Terceiro, a rejeição total é muito baixa. Apenas uma pequena porcentagem dos entrevistados relata não ter nenhum compromisso. Isso sugere que o problema enfrentado pela IASD não é o desengajamento generalizado, mas sim a profundidade do compromisso. A maioria dos obreiros está, pelo menos, um pouco alinhada, mas poucos demonstram uma convicção forte.

Quarto, as diferenças culturais regionais são claramente evidentes. Divisões na África e em outras partes do Sul Global tendem a mostrar níveis mais elevados de compromisso forte, enquanto as divisões ocidentais exibem respostas mais moderadas ou mistas. Isso reflete realidades globais mais amplas, incluindo o crescimento e a vitalidade no Sul Global e a crescente complexidade institucional e pressões seculares no Ocidente. Tomadas em conjunto, essas descobertas apontam para uma mudança mais profunda que a pesquisa está expondo silenciosamente. Em sua essência, a IWS questiona se os funcionários adventistas são primariamente crentes movidos pela missão ou profissionais trabalhando dentro de um sistema religioso.

Parece haver uma lacuna crescente entre identidade e ocupação. Muitos funcionários se identificam positivamente com a IASD, mas seu nível de compromisso permanece moderado em vez de forte. Este “espaço intermediário” sugere uma mudança de “eu sou parte desta missão” para “eu trabalho aqui e, no geral, concordo com ela”. Isso não é rejeição, mas sim uma forma mais leve de alinhamento.

Tanto nos setores educacionais quanto nos não educacionais, as respostas abertas revelam um padrão consistente na forma como os funcionários vivenciam o trabalho para uma organização religiosa. Os obreiros são motivados mais positivamente por um forte senso de missão e propósito, um ambiente baseado em valores e relacionamentos significativos dentro de uma comunidade de apoio. Muitos descrevem seu trabalho como uma contribuição para algo maior do que si mesmos, muitas vezes com significado espiritual ou orientado para o serviço. No entanto, esses mesmos funcionários também expressam frustrações notáveis, particularmente com os baixos salários, as práticas de liderança e administração, as ineficiências organizacionais e uma percepção de desconexão entre a missão declarada da IASD e sua realidade vivida. Preocupações como má comunicação, falta de transparência, rigidez burocrática e compensação desigual contribuem para um senso de dissonância.

Pessoalmente, vindo de uma família de professores adventistas e tendo trabalhado eu mesmo como professor adventista, declarações como “Os líderes não entendem a importância das escolas para a missão da igreja” e “Falta de reconhecimento e valorização da liderança da igreja” ressoam profundamente. Outros comentários, como a percepção de que os pastores são mais valorizados do que os professores e outros obreiros institucionais, preocupações sobre serem mal remunerados em relação às suas qualificações e críticas de que a liderança é frequentemente composta primariamente por clérigos sem experiência em áreas como negócios, finanças e administração escolar, destacam ainda mais essas tensões. Esses sentimentos ecoam histórias da experiência do meu pai como educador adventista nos anos 80 e 90, ao mesmo tempo que refletem as realidades que os professores enfrentam hoje. Esta continuidade sugere que essas preocupações não são isoladas ou recentes, mas apontam para um problema sistêmico persistente embutido na cultura institucional adventista.

Tomadas em conjunto, essas respostas destacam uma tensão central: embora os funcionários sejam atraídos pelos ideais e pela comunidade das instituições da IASD, suas experiências cotidianas podem ficar aquém dessas aspirações, revelando uma lacuna entre a missão e a prática. O conceito de “crente institucional” também está mudando. Historicamente, as instituições adventistas assumiam que os obreiros estavam profundamente alinhados teologicamente e que o emprego funcionava como uma extensão do chamado. Os dados agora sugerem uma realidade mais complexa. Alguns funcionários permanecem fortemente comprometidos e espiritualmente engajados, enquanto outros estão mais conectados culturalmente ou motivados primariamente por considerações profissionais. Isso cria um espectro que varia de motivação missional a alinhamento cultural e engajamento profissional.

Como resultado, a crença não é mais o único fator que mantém as instituições unidas. A coesão vem cada vez mais da identidade profissional, da cultura do local de trabalho e de compromissos éticos compartilhados, como serviço, cuidado e justiça. Isso representa uma mudança significativa, à medida que as instituições começam a funcionar menos como comunidades puramente teológicas e mais como organizações híbridas. Importante notar que a questão não é de oposição, mas de diluição. A convicção parece estar enfraquecendo em vez de colapsar. Isso apresenta um desafio único. É relativamente simples responder à resistência aberta, mas é muito mais difícil abordar o desengajamento silencioso.

Tanto na educação quanto na saúde, a pesquisa sugere que as instituições adventistas estão passando de comunidades confessionais para organizações baseadas em valores com níveis variados de compromisso teológico. Isso levanta uma questão importante para o futuro. O desafio não é como impor a crença, mas como cultivar um alinhamento significativo vivido dentro de uma força de trabalho diversificada. Isso exigirá menos dependência de suposições sobre crenças compartilhadas e maior investimento em formação intencional, diálogo, cuidado espiritual e construção de comunidade.

Neste contexto, a política recente da Divisão Norte-Americana de contratar apenas membros da IASD como professores reflete uma resposta míope a esta complexidade. Embora tenham a intenção de preservar a identidade institucional, tais políticas ignoram a realidade cheia de nuances que os dados revelam. Na prática, isso contribuiu para desafios significativos de contratação, particularmente no Canadá, onde as escolas estão sofrendo para preencher cargos de ensino enquanto rejeitam educadores cristãos qualificados. Em vez de fortalecer o alinhamento, essa abordagem enfraqueceu a capacidade institucional, esvaziando quaisquer oportunidades reais para engajamento significativo, formação e missão dentro de uma força de trabalho mais ampla, porém ainda alinhada em valores.

Além disso, a ausência de estruturas organizacionais fortes em alguns contextos, como departamentos de recursos humanos claramente definidos, políticas consistentes e administração transparente, pode minar ainda mais esse senso de alinhamento e comunidade. Além disso, a influência dos membros da igreja local nas decisões das escolas e outras instituições, embora não abordada diretamente na pesquisa, desempenha um papel significativo na formação da cultura institucional e na tomada de decisões. Sem limites claros e expectativas compartilhadas que se estendam além da liderança formal, essa dinâmica pode introduzir complexidade e limitações adicionais, ressaltando a necessidade de maior clareza e coesão em todos os níveis da vida institucional.

Em uma perspectiva mais ampla, o estudo revela uma mudança estrutural. As instituições que outrora eram vistas como extensões diretas da IASD, compostas primariamente por crentes comprometidos, são agora organizações complexas, compostas por indivíduos com diversos níveis de crença e engajamento. Isso mostra diretamente que a fé não pode mais ser presumida, o pertencimento é em camadas e a atribuição de significado é diversa. Consequentemente, o papel do cuidado pastoral também muda: importa menos reforçar uma identidade monolítica compartilhada e mais acompanhar os indivíduos em meio à ambiguidade.

Em última análise, a IWS não revela um colapso da fé entre os obreiros institucionais adventistas. Em vez disso, apresenta um quadro complexo e em evolução de uma força de trabalho global na qual a afiliação permanece relativamente alta, mas a clareza teológica e o alinhamento com a missão são desiguais e mutáveis.