Controvérsias na Igreja Adventista no Quênia envolvem a formação de associações paralelas, a promoção de criptomoedas fraudulentas por líderes da união, e até episódios de agressões físicas


Por Stanton Witherspoon | Traduzido e adaptado do original em inglês, publicado em 26 de fevereiro de 2026, para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org

No dia 16 de fevereiro, líderes da Associação Geral (AG) da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) visitaram a Universidade Adventista da África, perto de Nairóbi, no Quênia, destacando o papel crescente do continente na igreja global. A rara visita dos três principais executivos da AG fez parte de um foco oficial em missões na Divisão Africana Centro-Oriental (ECD), sediada no mesmo campus.

A delegação incluía o presidente da AG, Erton C. Köhler, o secretário Richard McEdward, o tesoureiro Paul Douglas e o assistente do presidente, Magdiel Schulz.

Ao fazer seu discurso no campus da universidade, Köhler enfatizou que não gosta de usar o termo “denominação”, destacando, em vez disso, que “somos uma família”. Ele afirmou que “a África é um continente muito estratégico para a Igreja Adventista do Sétimo Dia”, e observou que ela, agora, representa 43% dos membros da IASD em todo o mundo. Com mais de 5,7 milhões de membros em 11 países, a ECD é a maior divisão, não apenas na África, mas em toda a igreja mundial.

Mapa da Divisão Africana Centro-Oriental (ECD) da IASD, destacando os países sob seu território administrativo. (Imagem: ECD Hope Media Network)

Mas, como em todas as famílias, existem tensões.

A visita da liderança da AG ocorre em um momento de crescente atrito numa longa disputa pelo poder no Quênia, país que conta com mais de 1,3 milhão de membros.

Como relatou Godfrey K. Sang, pesquisador e escritor de história queniano, em sua série de seis partes publicada na SPECTRUM em 2019, “De quem é a igreja? Etnicidade, identidade e a política do pertencimento na Igreja Adventista no Quênia”, a história da IASD no Quênia inclui disputas em torno de liderança, etnia e governança. Sua reportagem focou em conflitos dentro da Associação Central do Quênia (CKC), especialmente na Igreja Adventista Central de Nairóbi, resultando na formação de uma entidade dissidente, a Associação Cosmopolitana de Nairobi (NCC).

A reportagem de Sang documentou como alguns membros, alegando exclusão e marginalização por questões étnicas, formaram uma estrutura paralela em vez de se separarem formalmente da denominação. A questão não era apenas administrativa. Era existencial: quem pertence? Quem lidera? De quem é esta igreja?

Quase seis anos depois, problemas semelhantes persistem.

Ao longo da última década, e especialmente nos últimos dois anos, a IASD no Quênia enfrentou diversas disputas públicas. Estas incluem movimentos separatistas, fechamento de igrejas por ordem do governo, processos judiciais, uma controvérsia financeira relacionada a criptomoedas, confrontos físicos durante cultos e a demissão de 19 pastores sob alegações de má conduta e apostasia.

Para ajudar a explicar a situação atual, a SPECTRUM entrevistou cinco fontes: dois anciãos adventistas quenianos de longa data; um pastor queniano local que atualmente serve no Quênia; um pastor queniano que serviu anteriormente no Quênia e agora pastoreia nos EUA; e um pastor, autor e administrador adventista veterano, com mais de três décadas de experiência internacional na IASD, especialmente na África.

Os dois anciãos e os dois pastores falaram anonimamente para poderem compartilhar suas opiniões livremente, sem medo de represálias. O administrador veterano, que já atuou como missionário, reitor de faculdade e professor, e que agora é pastor sênior nos EUA, pediu anonimato, citando consequências profissionais passadas após ter defendido publicamente a prestação de contas na liderança da igreja. Juntas, suas perspectivas revelam temas recorrentes: finanças, política interna, etnia e administração da igreja.

Quênia: crescimento e fratura

Entre 2012 e 2013, os líderes da IASD reorganizaram a antiga União Africana Oriental, então conhecida como União-missão do Quênia, em duas uniões separadas: a União-associação do Quênia Oriental (EKUC), com sede em Nairobi, e a União-associação do Quênia Ocidental (WKUC), com sede em Kisumu, um importante centro urbano no oeste do Quênia. Foi a primeira vez na história da IASD global em que uma união foi reorganizada diretamente em duas uniões-associações.

A mudança foi implementada oficialmente em novembro de 2013. Os líderes afirmaram que o objetivo era melhorar a administração, visto que o número de membros da igreja estava crescendo rapidamente.

Durante vários anos, o plano pareceu funcionar. O número de igrejas aumentou. As instituições se expandiram. As associações urbanas registraram um forte crescimento.

Com o crescimento, veio mais dinheiro.

“As razões financeiras são enormes”, disse um pastor queniano local à SPECTRUM. “A igreja no Quênia está crescendo rapidamente, e as associações urbanas estão enriquecendo. Nosso próprio Campo de Kajiado, no sul de Nairóbi, arrecadou 1,6 bilhão de xelins quenianos [US$ 10-12 milhões] em três anos e meio. Isso é fenomenal. O dinheiro é uma causa natural de conflito.”

As propriedades da IASD também se valorizaram. Muitas foram adquiridas durante o período colonial e agora valem muito mais. Escolas, hospitais e terrenos privilegiados representam importantes ativos financeiros. No entanto, o pastor afirmou que tais ativos podem gerar disputas por influência, liderança e controle.

À medida que a estrutura da igreja crescia e se tornava mais rica, as eleições de líderes e as decisões administrativas ganhavam maior importância, tornando-se, às vezes, controversas.

O Quênia é frequentemente descrito como um caso de sucesso para o crescimento adventista, já que grandes campanhas evangelísticas levaram a aumentos significativos no número de membros.

No entanto, um administrador veterano disse à SPECTRUM que o desenvolvimento da liderança nem sempre acompanhou o crescimento do número de membros.

“Você pode batizar milhares”, disse ele. “Mas quem os discipula? Quem treina os anciões? Quem garante uma base teológica sólida?”

Ele se referiu à pesquisa de David Trim, diretor do Gabinete de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da AG, segundo a qual cerca de 42% dos adventistas em todo o mundo acabam deixando a igreja. Ele também citou dados da Pesquisa Global de Membros da IASD, mostrando que, embora a maioria dos membros esteja de acordo com o ensinamento da igreja de que os mortos permanecem inconscientes até a ressurreição, um número significativo também expressa crenças que não estão totalmente alinhadas com esse ensinamento.

O administrador veterano afirmou que essas descobertas levantam questões importantes, especialmente na África, que agora representa quase metade da membresia adventista mundial, com 43%. Ele sugeriu que a formação cultural e religiosa pode influenciar a maneira como alguns membros compreendem certas doutrinas. Em algumas comunidades africanas, crenças tradicionais sobre os ancestrais e o mundo espiritual permanecem fortes. Muitos convertidos também vêm de famílias cristãs, onde é comum o ensinamento de que a alma vai imediatamente para o céu após a morte.

O administrador veterano esclareceu que essa era uma observação pessoal, não uma conclusão baseada em pesquisas, observando que nenhum estudo detalhado examinou a relação dos adventistas africanos com a crença fundamental no estado dos mortos. Ainda assim, ele disse que o crescimento rápido da igreja torna o ensino e o discipulado sólidos especialmente importantes para garantir que os membros compreendam claramente as crenças adventistas centrais.

O centro de Nairóbi e a dissidência cosmopolitana

Em 2019, as preocupações com crescimento, liderança e administração ganharam destaque na IASD Central de Nairóbi, a maior congregação da CKC. O que começou como uma disputa interna da liderança acabou se transformando em uma crise pública que envolveu ações judiciais e intervenção governamental.

O conflito vinha se intensificando há anos. Como Sang relatou na parte cinco de sua série, as tensões dentro da CKC se intensificaram após eleições controversas para a liderança da associação em 2015. Alguns membros questionaram a lisura do processo eleitoral. Em 2017, uma proposta para criar uma unidade administrativa separada para Nairóbi-Kajiado foi paralisada, aprofundando ainda mais as frustrações entre certos grupos.

Em março de 2019, um grupo de membros registrou a NCC como uma empresa privada, em vez de uma entidade religiosa oficial. Os líderes da NCC afirmaram que sua proposta para uma nova associação era uma resposta ao que descreviam como corrupção, exclusão e marginalização étnica. Alguns alegaram que os membros da comunidade kisii estavam sub-representados na liderança, apesar de seu número de membros e de suas contribuições financeiras. Os kisii são uma das principais comunidades étnicas do Quênia, originários principalmente da região oeste do país, com uma presença profissional e empresarial significativa em Nairóbi. No entanto, os registros oficiais de nomeações pastorais e administrativas mostravam uma distribuição mais complexa de cargos de liderança.

Um pastor queniano local disse à SPECTRUM que a cultura política geral do Quênia também contribui.

“A política nacional do Quênia é conflituosa e repleta de tensões”, disse ele. “Os membros da igreja trazem essa mesma mentalidade de ‘nós contra eles’ para as eleições da igreja.”

Ele explicou que as eleições adventistas, realizadas a cada cinco anos, podem se assemelhar a disputas políticas nacionais. Etnia, identidade regional, ideologia, classe social, idioma e acesso a recursos frequentemente moldam as alianças. “O sistema de ‘o vencedor leva tudo’ gera ressentimento”, disse ele.

O pastor queniano local acrescentou que a identidade tribal continua sendo um fator. “Os líderes se refugiam em suas tribos caso se sintam sitiados. Se você tem uma grande base tribal, isso ajuda a silenciar as críticas. Caso contrário, seu cargo fica numa situação precária.”

Sang relatou que, após a formação da NCC, a liderança da CKC iniciou processos disciplinares contra membros associados ao movimento dissidente. Reuniões foram realizadas na IASD Central de Nairóbi para tratar de alegações de que alguns membros teriam agido fora das normas denominacionais. Os apoiadores da NCC contestaram o processo, argumentando que ele era injusto e politicamente motivado.

A situação se agravou quando algumas reuniões disciplinares foram interrompidas. Confrontos irromperam dentro da nave da igreja durante sessões programadas, das quais participavam membros da igreja e representantes da associação. Vídeos de gritos e agressões físicas circularam amplamente.

Entretanto, o Registro de Empresas proibiu a NCC de usar os logotipos oficiais adventistas ou de operar sob o nome adventista, pois ela não estava registrada como organização religiosa. Decisões judiciais rejeitaram certos questionamentos legais e permitiram a continuidade dos processos disciplinares internos da IASD.

Em agosto de 2019, em meio a alta tensão e confrontos repetidos, as autoridades governamentais fecharam temporariamente a IASD Central de Nairóbi sem aviso prévio à liderança da igreja. O fechamento atraiu atenção nacional e internacional.

Desde então, os líderes da igreja têm procurado incluir representantes de diferentes comunidades em cargos de liderança. No entanto, alguns observadores afirmam que as relações étnicas continuam a ter influência.

Um pastor queniano que agora atua nos EUA disse à SPECTRUM que a etnia muitas vezes não é discutida abertamente, mas, ainda assim, influencia a tomada de decisões. “A questão”, disse ele, “é se temos maturidade para transcendê-la.”

Crescimento sem profundidade?

No entanto, o administrador veterano, que também lecionou na Universidade Adventista da África (AUA), vê as tensões do Quênia dentro de um padrão continental mais amplo.

“A África é o coração demográfico do adventismo”, disse ele. “Mas quando o crescimento é rápido, as instituições são postas à prova”, observando que a expansão acelerada pode pressionar os sistemas da IASD, incluindo a educação.

Na AUA, ele observou o que descreveu como “pressão estrutural”. Muitos estudantes de pós-graduação da universidade são administradores de associações ou uniões patrocinados por suas igrejas.

“Eles mandam alguém. Eles pagaram por isso. Eles esperam um diploma”, disse ele.

Ele explicou que, em alguns casos, isso gera tensão em torno de padrões e expectativas acadêmicas; a questão não seria a incompetência generalizada, mas, sim, como títulos e credenciais acadêmicas às vezes estão intimamente ligados a cargos de liderança e recompensas institucionais.

“Se não criar maneiras de honrar obreiros fiéis para além dos títulos”, disse ele, “você distorce o sistema”.

Ele afirmou que essas pressões, combinadas com o rápido crescimento, podem sobrecarregar instituições que ainda estão desenvolvendo estruturas para apoiar a formação de lideranças a longo prazo.

Consequências financeiras de esquema com criptomoedas e investigações em andamento

A pressão sobre a liderança da IASD não termina com as disputas na administração. No final de 2025, a IASD no Quênia esteve de novo sob os holofotes. Desta vez, o assunto ganhou destaque público devido a uma plataforma de troca de criptomoedas e moeda estrangeira conhecida como Optcoin.

Vários investidores, a maioria deles membros adventistas, disseram à mídia queniana que foram apresentados à plataforma por Paul Mwangi, que atuou como presidente da CKC de 2020 a 2025. Desde então, Mwangi foi eleito secretário executivo da EKUC.

À medida que cresciam as preocupações sobre a legitimidade da Optcoin, entidades religiosas emitiram declarações oficiais aconselhando membros que investiram na plataforma. A SPECTRUM analisou cartas com a data de 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, publicadas pela EKUC e pelo Campo de Kajiado (SNKF).

Nas cartas, os líderes da EKUC reconheceram a existência de notícias sobre “investimentos em opt coin e criptomoedas” supostamente envolvendo membros da IASD e a influência de seus líderes. Eles afirmaram que, embora nenhuma queixa formal tenha sido registrada, a notícia causou preocupação na comunidade religiosa.

As cartas também afirmavam que a igreja, “como instituição, não assume qualquer responsabilidade” por decisões de investimento pessoais, encorajando os membros afetados a recorrerem à justiça.

Os líderes solicitaram que qualquer membro que acredite ter sido afetado financeiramente forneça informações detalhadas sobre seu envolvimento, incluindo documentação e dados de contato, dentro do prazo estipulado.

Para além das declarações oficiais, as discussões continuaram dentro das congregações.

Um ancião local da SNKF disse à SPECTRUM que, em alguns casos, grupos supostamente usaram dízimos e ofertas temporariamente retidos da igreja para negociar criptomoedas antes de repassar o valor principal para os escritórios da associação. Quando a plataforma entrou em colapso, ele alegou que alguns fundos não puderam ser recuperados. Essas alegações não foram verificadas de forma independente, mas circularam amplamente entre os membros.

Outro ancião em Nairóbi descreveu o que ele acredita ser o provável desfecho da situação. Segundo ele, Mwangi se afastou do cargo por três meses enquanto uma investigação é conduzida. “Makori nomeará uma comissão para investigar e declarar Mwangi inocente, após o que ele reassumirá o cargo”, disse o ancião. “Esse é o plano.”

Mwangi declarou publicamente que também sofreu perdas financeiras e se descreveu como vítima, não como o arquiteto do esquema. Até o momento da publicação desta notícia, a liderança da igreja não divulgou detalhes sobre o escopo ou o cronograma de qualquer investigação interna, exceto aconselhar os membros a denunciarem os casos às autoridades.

Nakuru e a demissão de 19 pastores

Sede da Associação do Vale do Rift Central (CRVC) da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Nakuru, Quênia, onde 19 pastores foram destituídos em fevereiro de 2026 em meio a disputas administrativas em curso. (Imagem: CRVC/Arquivos)

Com a persistência de questionamentos sobre finanças e liderança, as tensões aumentaram ainda mais no município de Nakuru, um território da Associação do Vale do Rift Central (CRVC), mas que permanece sob a jurisdição da EKUC.

No início de fevereiro de 2026, a CRVC demitiu 19 pastores, dividindo congregações e atraindo atenção nacional.

Uma carta datada de 3 de fevereiro de 2026, intitulada “Aviso oficial de rescisão dos serviços pastorais”, declara que as credenciais e licenças dos pastores foram revogadas “com efeito imediato”. A carta os acusa de “má conduta grave” e de formar o que é chamado de “organização apóstata”, denominada União-associação de Igrejas do Vale do Rift Central. Ela instrui as igrejas locais a não permitirem que os pastores mencionados preguem, ensinem ou participem de atividades da igreja.

Cópias da carta circularam amplamente nas redes sociais e em grupos de WhatsApp de igrejas. Diversas fontes compartilharam o documento com a SPECTRUM, mas sua autenticidade ainda não foi confirmada de forma independente por canais oficiais.

Segundo a carta, os líderes da CRVC descrevem a ação como uma defesa da ordem e da doutrina da igreja, e não simplesmente como uma divergência administrativa.

Os pastores demitidos rejeitam essa alegação.

Em declarações públicas, eles afirmam que a disputa não tem a ver com doutrina, mas com ética e governança. Negam a formação de uma denominação dissidente e insistem que permanecem comprometidos com os princípios adventistas. Dizem que suas ações visavam levantar preocupações com uma suposta má gestão financeira, questões ligadas à controvérsia da Optcoin e a administração de bens valiosos da IASD.

Eles também alegam centralização na tomada de decisões e afirmam que táticas autoritárias da liderança criaram um ambiente onde vozes dissidentes foram intimidadas. Alguns dizem que o aviso de demissão circulou publicamente antes mesmo de o receberem formalmente. Segundo os pastores, as demissões foram retaliação por denúncias, e não punição por erros teológicos.

Entretanto, as tensões já haviam afetado as congregações locais antes dos encerramentos oficiais.

Em 2 de março de 2025, uma altercação física ocorreu durante um culto na IASD da Califórnia, a oeste de Nakuru. Várias pessoas teriam ficado feridas. O incidente foi relacionado a alegações de desvio de fundos da igreja.

Em 20 de dezembro de 2025, outro confronto ocorreu na IASD Central de Nyahururu. Segundo relatos da mídia local, os confrontos surgiram após uma disputa na liderança envolvendo um pastor que havia sido transferido pela diretoria da igreja. O pastor e seus apoiadores teriam se oposto à transferência, argumentando que ela ra injustificada. Eles acusaram os líderes da igreja de má administração e de criar divisões dentro da congregação.

Com a continuidade do conflito, os tribunais civis entraram em cena. O pastor, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o sistema constitucional do Quênia permite ações judiciais rápidas e uma aplicação rigorosa da lei pela polícia. Segundo ele, uma vez que as disputas chegam ao sistema jurídico, a reconciliação interna na igreja torna-se mais difícil.

A SPECTRUM entrou em contato com a CRVC e com a EKUC, que supervisiona a CRVC, para obter um posicionamento oficial. Até o momento da publicação, nenhuma das entidades havia respondido.

Uma igreja que busca o equilíbrio entre crescimento e ruptura

Apesar das disputas em Nakuru e da controvérsia financeira, nenhum dos líderes entrevistados sugeriu que a IASD no Quênia esteja em declínio. Em vez disso, afirmaram que reformas são necessárias para reconstruir a confiança entre os membros e a liderança da igreja. O administrador veterano defendeu a limitação de mandatos para os líderes de cargos importantes. “Quando líderes permanecem por muito tempo”, disse ele, “a natureza humana se impõe. Criam-se câmaras de eco. Eles trazem para o poder pessoas com quem se sentem confortáveis.” Ele acrescentou: “O poder revela o caráter. Se as estruturas são frágeis, o crescimento as expõe.”

Durante sua visita à AUA, Köhler destacou o papel crescente da África na IASD global. “Se somarmos as três Américas, temos 35% dos membros”, disse ele. “A África representa 43%.” Ele descreveu esse crescimento como uma oportunidade e uma responsabilidade, lembrando aos líderes que “somos uma só família em Jesus Cristo”, transcendendo culturas e nações.

O administrador veterano também enfatizou a energia espiritual do adventismo africano. “A paixão”, disse ele. “Os africanos vivem sua fé. O sábado não é um culto de duas horas. É um modo de vida.” Ele observou que muitos pastores supervisionam várias congregações, treinam presbíteros e dependem da liderança leiga. “Se a América do Norte quiser aprender sobre plantação de igrejas, vá para a África”, disse ele. “A África não é mais apenas o campo missionário. É a professora.”

A membresia no Quênia continua a crescer, as instituições permanecem ativas e os encontros evangelísticos ainda atraem multidões. Ao mesmo tempo, conflitos recentes, de Nairóbi a Nakuru, e de investigações financeiras a processos judiciais, mostram uma igreja enfrentando sérios desafios internos enquanto continua a se expandir. Como Köhler lembrou aos presentes na AUA: “Sejam fortes e não deixem que suas mãos se enfraqueçam, pois seu trabalho será recompensado”.