Em um comentário linha a linha da Crença Fundamental 24 dos adventistas, pesquisador da denominação demonstra por que a doutrina do santuário celestial não se sustenta biblicamente


Por Warren Trenchard | Doutor em Novo Testamento e Literatura do Cristianismo Primitivo pela Universidade de Chicago. Aposentado, ele continua a servir a Universidade La Sierra como professor de Novo Testamento e Literatura do Cristianismo Primitivo, e Diretor da Pós-Graduação para a H.M.S. Richards Divinity School. Traduzido e adaptado do original em inglês1 por André Kanasiro para a revista Zelota. Republicado em colaboração com SPECTRUM: o periódico e website do Adventist Forum desde 1969. www.spectrummagazine.org

O ensinamento mais distinto da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) é, provavelmente, a doutrina de Cristo como o sumo sacerdote que ministra no santuário celestial. Ela surgiu quando um grupo de milleritas tentou reinterpretar, criativamente, o desapontamento devastador que sentiram quando Jesus não voltou à Terra no dia 22 de outubro de 1844 como esperavam. A concepção de um juízo investigativo é, sem dúvida, o elemento de suporte bíblico mais tênue em toda a doutrina.

Uma análise da Crença Fundamental 24

Este artigo é um estudo da doutrina adventista do santuário através de uma análise comentada de várias partes da Crença Fundamental (CF) 24. Este ensinamento adventista está resumido, assim como os textos bíblicos que o sustentariam, na CF 24, “O ministério de Cristo no santuário celestial”:

Há um santuário no Céu, o verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não seres humanos. Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando acessíveis aos crentes os benefícios de Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz. Em Sua ascensão, Ele foi empossado como nosso grande Sumo Sacerdote e começou Seu ministério intercessório, que foi tipificado pela obra do sumo sacerdote no lugar santo do santuário terrestre. Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório, que foi tipificado pela obra do sumo sacerdote no lugar santíssimo do santuário terrestre. É uma obra de juízo investigativo, a qual faz parte da eliminação final de todo pecado, prefigurada pela purificação do antigo santuário hebraico, no Dia da Expiação. Nesse serviço típico, o santuário era purificado com o sangue de sacrifícios de animais, mas as coisas celestiais são purificadas com o perfeito sacrifício do sangue de Jesus. O juízo investigativo revela aos seres celestiais quem dentre os mortos dorme em Cristo, sendo, portanto, Nele, considerado digno de ter parte na primeira ressurreição. Também torna manifesto quem, dentre os vivos, permanece em Cristo, guardando os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, estando, portanto, Nele, preparado para a trasladação ao Seu reino eterno. Este julgamento vindica a justiça de Deus em salvar os que creem em Jesus. Declara que os que permaneceram leais a Deus receberão o reino. A terminação do ministério de Cristo assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do segundo advento.

Lv 16; Nm 14:34; Ez 4:6; Dn 7:9-27; 8:13, 14; 9:24-27; Hb 1:3; 2:16,17; 4:14-16; 8:1-5; 9:11-28; 10:19-22; Ap 8:3-5; 11:19; 14:6, 7; 20:12; 14:12; 22:11, 12

Há um santuário no Céu,

Mais precisamente, segundo Hebreus 9.24, o santuário celestial é o “próprio céu”, ou seja, “diante de Deus”. Essa afirmação, no entanto, reflete a concepção comum adventista de que no céu — seja lá o que for e onde estiver — há um santuário físico que serviu de modelo a ser seguido meticulosamente pelos israelitas em seu antigo centro de adoração. Esta ideia adventista pode ser observada claramente no que se segue.

o verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não seres humanos.

É o que diz Hebreus 8.2 (“do verdadeiro tabernáculo [τῆς σκηνῆς τῆς ἀληθινῆς], que o Senhor erigiu, e não o homem”).2 Embora a palavra “tabernáculo” pareça antiga e exótica, e possa, portanto, ser usada para uma estrutura no céu, ela não passa da palavra escolhida pela tradução King James (KJV) para “tenda”. Essa tradução é mantida na Nova Almeida Atualizada (NAA) para esse verso, e está refletida na sentença antropomórfica “que o Senhor erigiu”. É claro que, na realidade, imaginar Deus erigindo uma tenda no céu é absurda! Embora Hebreus mencione uma “tenda” no céu, aqui e em 9.11,3 ela é mencionada como uma derivação metafórica do antigo centro de adoração israelita.

Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando acessíveis aos crentes os benefícios de Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz.

As afirmações gerais dessa afirmação ecoam as declarações da Carta aos Hebreus quando desenvolvem a proposição de que Jesus, embora não fosse um sumo sacerdote israelita da tribo de Levi,4 foi, através da ordem de Melquisedeque, um sumo sacerdote mais grandioso e perpétuo.5 Assim, sua mediação pelos crentes cristãos é efetiva. A expressão “uma vez por todas” (ἐφάπαξ) é encontrada em Hebreus 10.10 (“a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”).6

Em Sua ascensão, Ele foi empossado como nosso grande Sumo Sacerdote

Não há registro bíblico de Jesus sendo “empossado como nosso grande Sumo Sacerdote” em sua “ascensão”. Sua primeira menção como “sumo sacerdote” na carta é em Hebreus 2.17, onde se lê que ele, como “misericordioso e fiel sumo sacerdote”, faz “propiciação pelos pecados do povo”. Esse sacrifício, presumivelmente sua morte expiatória na cruz, foi antes de sua ascensão! A ordem cronológica em Hebreus 4.14 parece ser (1) que Jesus foi um “grande sumo sacerdote”, e (2) que ele “adentrou os céus” (isto é, ascendeu aos céus como sumo sacerdote). O verso 15 afirma que Jesus, o “sumo sacerdote […] foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança”, claramente afirmando que ele foi um “sumo sacerdote” durante sua vida humana na terra. Hebreus 5.5-10 declara que Jesus foi nomeado “sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”, de modo que, “nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, foi ouvido por causa da sua reverência”, aprendendo “a obediência pelas coisas que sofreu”. Isso claramente demonstra que Jesus era considerado um “sumo sacerdote” pelo autor de Hebreus muito antes de sua ascensão. Embora o escritor, em Hebreus 8.1-2, descreva o “sumo sacerdote” sentado “à direita do trono da Majestade nos céus” e como “ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem”, ele já tinha estabelecido, como vimos, que Jesus se tornara o “sumo sacerdote” muito antes disso.7

e começou Seu ministério intercessório, que foi tipificado pela obra do sumo sacerdote no lugar santo do santuário terrestre.

Embora a Carta aos Hebreus entenda que o santuário celestial e o ministério de Jesus como sumo sacerdote são tipificados como versão aperfeiçoada de suas contrapartidas israelitas, estas não são descritas na Bíblia Hebraica como algo que funciona tipologicamente em referência aos primeiros. A visão de Hebreus parece ter sido criada posteriormente.

Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias,

A despeito de sua exegese criativa de Guilherme Miller e seus seguidores no início da década de 1840, incluindo a aplicação do princípio duvidoso que equivale dia-ano,8 a interpretação de Daniel 8.13-14 pelos mileritas (e, posteriormente, pelos adventistas sabatistas), que resulta no cumprimento profético em 1844, não é compartilhada por nenhum estudioso atual da Bíblia Hebraica que seja respeitado fora do adventismo.9 Os milleritas estavam errados em esperar o retorno de Cristo em 1844 com base nessa interpretação. Os adventistas contemporâneos, da mesma forma, estão errados em entender que 1844 foi antecipado nessa passagem bíblica. Não há nada no Antigo ou no Novo Testamento vindicando esse tipo de exegese ou validando alguma forma de mudança do ministério sumo sacerdotal de Jesus num santuário celestial nessa data.10

Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório, que foi tipificado pela obra do sumo sacerdote no lugar santíssimo do santuário terrestre.

Não há nada a respeito de uma “segunda e última etapa” no “ministério expiatório” de Jesus em qualquer uma das passagens bíblicas citadas no final da declaração, especialmente as citações de Levítico, Daniel, Hebreus, ou Apocalipse. Embora Hebreus tenha o que falar sobre o juízo divino (e.g., os vs. 9.27; 10.27, 30; 12.23; e 13.4), a carta nunca o conecta à obra de Jesus como sumo sacerdote celestial ou a um momento específico antes de seu segundo advento. Isso também se aplica a Apocalipse, que faz várias referências ao juízo divino (e.g., vs. 6.10; 11.18; 14.7; 15.4; 16.5, 7; 17.1; 18.8, 10, 20; 19.2, 11; e 20.4, 12-13).

É uma obra de juízo investigativo, 

A expressão “juízo investigativo” não só é inexistente na Bíblia, mas a própria concepção de “juízo” não é, em lugar nenhum, conectada aos serviços do santuário — seja este o terrestre ou o celestial.

a qual faz parte da eliminação final de todo pecado,

Nenhuma das descrições bíblicas das atividades do sumo sacerdote — seja este histórico ou prefigurado — envolvem “juízo”, muito menos “juízo investigativo”. A “obra do sumo sacerdote no lugar santíssimo do santuário terrestre” não é “uma obra de juízo investigativo”, como alega essa afirmação.

prefigurada pela purificação do antigo santuário hebraico, no Dia da Expiação.

A concepção de “purificação” do santuário terrestre não está presente em Levítico 16. A ideia de “purificação” (ִטֲהר), ali, só tem relação com o “altar, que está diante do Senhor” (vs. 18-19) e com o adorador (v. 30). O capítulo, na verdade, usa o termo “expiação” (כִפֶּר) para Arão e seus sucessores (vs. 6, 11, 17, 24), o “lugar santo” (vs. 16-17, 24, 27), a “casa” de Arão (v. 17), o altar “que está diante do Senhor” (vs. 18, 33), o “santuário” (v. 33), a “tenda do encontro” e os “sacerdotes” (v. 33), assim como “todo o povo da congregação… de Israel” (vs. 17, 24, 30, 33-34).

Nesse serviço típico, o santuário era purificado com o sangue de sacrifícios de animais,

Acima, já foi observado que a única parte do “santuário” que é “purificada” nesse ritual é o “altar, que está diante do Senhor” (Lv 16.18-19). Para outras partes do “santuário”, o processo é chamado de “expiação”.

mas as coisas celestiais são purificadas com o perfeito sacrifício do sangue de Jesus.

Embora a conexão com os sacrifícios de sangue hebraicos seja conveniente, a realidade é que aplicar literalmente o “sangue de Jesus”, mesmo que seja de um “perfeito sacrifício”, é um absurdo. A quantidade de sangue necessária para efetuar a expiação de milhões de pessoas seria enorme. De onde viria todo esse sangue? Como ele teria sido armazenado por 18 séculos? É claro, talvez o sangue de Jesus, assim como seu sumo sacerdócio e o santuário celestial, sejam simplesmente figurativos. Mas não é o que diz a Crença Fundamental.

O juízo investigativo revela aos seres celestiais

Quem são esses “seres celestiais”, e por que precisam saber dos crentes vivos e mortos no tempo do fim? Mais importante, qual é a evidência bíblica para essa afirmação? Não existe nenhuma. Os textos de apoio sequer incluem 1Coríntios 4.9, que falam de nos tornarmos “espetáculo para o mundo, tanto para os anjos como para os seres humanos”! É claro que esta passagem se refere ao que Paulo chama de “nós, os apóstolos”, e não aos que tiverem sucesso ao negociar o “juízo investigativo”.

quem dentre os mortos dorme em Cristo, sendo, portanto, Nele, considerado digno de ter parte na primeira ressurreição. Também torna manifesto quem, dentre os vivos, permanece em Cristo, guardando os mandamentos de Deus e a fé de Jesus,

Essa linguagem de Apocalipse 14.12 reflete a tradução da KJV para οἱ τηροῦντες τὰς ἐντολὰς τοῦ θεοῦ καὶ τὴν πίστιν Ἰησοῦ (“os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”), isto é, cristãos praticantes. Os adventistas, é claro, se concentram essencialmente no quarto mandamento para a primeira parte da frase.11

estando, portanto, Nele, preparado para a trasladação ao Seu reino eterno.

A expressão “trasladação” nunca é usada na KJV para os crentes no tempo do fim da forma que os adventistas a usam. Hebreus 11.5 (ARA), partindo de Sirach 44.16, refere-se a Enoque sendo “trasladado” [μετετέθη] por Deus; antes da “sua trasladação”  [μετέθηκεν αὐτὸν], sua reputação era “de haver agradado a Deus”. O único outro uso de “trasladar” no Novo Testamento (KJV) está em Colossenses 1.13, onde lemos que “ele [o Pai, v. 12] nos libertou do império das trevas e nos transportou [μετέστησεν] para o reino do Filho do seu amor” [esta tradução, da ARA, não usa o termo “trasladar”]. O escritor, aqui, descreve essa transição como uma realidade presente, não como um evento no fim dos tempos. Ainda mais importante, nenhuma dessas palavras sinônimas (μετατίθημι [“remover, mudar”] ou μεθίστημι [“remover, mudar”]) jamais denotam “trasladação” na NAA.

Este julgamento vindica a justiça de Deus em salvar os que creem em Jesus. 

Agora, esse “juízo investigativo” que deveria se concentrar nos crentes vivos e mortos para determinar sua qualificação à ressurreição e “trasladação” se transforma numa vindicação da “justiça de Deus em salvar” esses crentes. Mas não há evidência bíblica para nenhuma das opções, não importa o quão criativa seja essa compreensão bifurcada.

Declara que os que permaneceram leais a Deus receberão o reino. 

Agora a declaração, confusa, volta a se referir aos crentes!

A terminação do ministério de Cristo assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do segundo advento.

Quando chegamos na “terminação do ministério de Cristo”, somos confrontados pela declaração de que esta “assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do segundo advento”. Tempo da graça [no inglês “human probation”]! Este conceito, embora seja proeminente na teologia adventista, não existe na Bíblia — o termo “probation”, humano ou não, não existe em lugar nenhum da Bíblia, seja na tradução KJV ou na NAA, e nem mesmo nos livros apócrifos.

Analisando os textos bíblicos de apoio da CF 24

As 18 passagens bíblicas citadas no apêndice da declaração merecem comentários individuais.

Levítico 16

Este capítulo descreve as regras e as atividades do Dia da Expiação israelita — tudo nas palavras de Moisés a seu irmão Arão, o sumo sacerdote. Ele não contém indicação nenhuma de que essa atividade anual tivesse alguma aplicação ou significado para além de Israel, muito menos de que era um símbolo ou tipo de alguma realidade maior e universal, global, ou celestial.

Números 14.34

Esta é uma das chamadas passagens do “dia-ano” — um ano para cada dia. Israel é condenado a passar 40 anos no deserto por sua infidelidade (v. 33). “Segundo o número dos dias em que vocês espiaram a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, vocês levarão sobre si as suas iniquidades durante quarenta anos e terão experiência do meu desagrado.” Essa declaração diz respeito a um incidente israelita específico. Não é mencionada como um princípio para interpretar profecias nos tempos bíblicos, e nem justifica essa escolha de interpretação.

Ezequiel 4.6

Esta é outra notória passagem do “dia-ano”, mas é, de fato, um texto de “dia-ano” — um dia para cada ano. Deus, misteriosamente, ordenou que o profeta se deitasse sobre seu lado esquerdo por 390 dias (!) para levar “sobre si a maldade [de 390 anos] da casa de Israel” (vs. 4-5). Ao terminar (após cerca de 13 meses!), ele foi ordenado a se deitar sobre seu lado direito por 40 dias para levar “sobre si a maldade [de 40 anos] da casa de Judá” (v. 6). Esta equivalência é inversa à de Números 14.34; mas, para além disso, nenhum dos textos, individualmente ou em conjunto, oferece um princípio válido para a interpretação de profecias bíblicas, a despeito de sua aplicação quase universal por adventistas.

Daniel 7.9-27

Este texto, presumivelmente, é citado como suporte à ideia de juízo divino e, possivelmente, de “juízo investigativo”. Embora contenha uma cena de juízo, essa passagem não tem relação com um “juízo investigativo” do povo de Deus, e nem é atribuída a uma data específica. O texto acompanha o juízo e a destruição do “chifre pequeno” (v. 26). “Os santos” só são envolvidos como vítimas da agressão e guerra travada pelo “chifre pequeno” (vs. 21, 25), como os beneficiários da “justiça” divina em seu nome, presumivelmente contra o “chifre pequeno” (v. 22), e como o povo que receberá “o reino, o domínio e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu”, onde “todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (v. 27). É certo que aqui não há um “juízo investigativo” dos “santos”, muito menos um processo que começaria em 1844!

Daniel 8.13-14

O verso 13 é o contexto com a pergunta que é respondida no v. 14. No primeiro, um “santo” pergunta ao outro quanto tempo vai durar a supressão do sacrifício diário (הַתָּמִיד).12 A resposta: 2.300 sacrifícios da tarde e da manhã (“duas mil e trezentas tardes e manhãs”). Os “dois mil e trezentos dias” da KJV parecem ser uma influência da Septuaginta (LXX), que diz ἑσπέρας καὶ πρωὶ ἡμέραι δισχίλιαι τριακόσιαι (“2.300 dias com tarde e manhã”). O hebraico implica 2.300 sacrifícios regulares — considerando que são dois por dia, isso daria 1.1150 dias. Mesmo que o texto implique, como a LXX, 2.300 dias, não há indicação de que isso significa 2.300 anos. A resposta no v. 14 se refere a um período de dias, sejam eles 2.300 dias, ou, mais provavelmente, 1.150 dias. Em hipótese alguma este período se estende até 1844!

A última parte do v. 14 antecipa o resultado positivo: וְנִצְדַּק קֹדֶשׁ, “depois, o santuário será purificado”, isto é, vai retomar seus sacrifícios diários regulares (a NRSV diz “e o santuário será restaurado à sua condição de direito”). Aqui, também, a KJV (“e então o santuário será purificado”) foi influenciada pela LXX (καὶ καθαρισθήσεται τὸ ἅγιον, “e o santuário será purificado”).

A interpretação adventista desses versos é baseada na tradução da KJV, que, por sua vez, foi influenciada pela LXX. Nessa leitura, fica implícito que o santuário será purificado após 2.300 dias, ou, como entendem os adventistas, 2.300 anos. Da mesma forma, o evento não é visto como uma restauração dos sacrifícios regulares da tarde e da manhã, como diz o texto hebraico, mas como a “purificação” do santuário celestial — o Dia da Expiação celestial. Esses textos não possuem evidência alguma para sustentar tal leitura.

Daniel 9.24-27

No v. 9.17, Daniel ora para que Deus faça “resplandecer o teu rosto sobre o teu santuário” (מִקְדָּשְׁךָ). Este parece ser o seu chamado para a restauração visualizada no v. 8.14. Gabriel anuncia o plano nos vs. 24-27. Setenta semanas (490 dias, ou 1 ano e 130 dias) são decretados para o povo, a cidade santa, e para “para ungir o Santo dos Santos” (קֹדֶשׁ קָדָשִׁים).13

O texto dispõe os componentes das setenta semanas da seguinte forma: (1) do decreto de reconstrução de Jerusalém até “a vinda do Ungido, o Príncipe”,14 serão sete semanas; (2) a cidade será construída e florescerá por 62 semanas, presumivelmente sob a liderança do príncipe ungido; (3) depois disso, “o Ungido” (presumivelmente o “príncipe” citado antes) perderá seu poder; (4) outro príncipe, com suas tropas, destruirá a cidade e o santuário, presumivelmente derrotando e devastando príncipe ungido anterior; (5) o príncipe conquistador estabelecerá uma aliança “com muitos, por uma semana”, mas, durante metade desse tempo, substituirá o sistema sacrificial por uma abominação da “desolação”, até que chegue sua “destruição […] determinada”.

A CF 24 não diz nada sobre a profecia das 70 semanas. Esse texto, sem dúvida, só foi incluído como o típico segmento cronológico adventista da profecia de 2.300 dias/anos,15 um componente de 490 dias/anos que supostamente prevê a aparição do Messias após 69 anos, assim como sua remoção no meio da semana (após 3,5 anos — tudo interpretado como anos). Isso só funciona com a tradução enviesada e sem embasamento da KJV para esses versículos. Além disso, o texto se refere a um príncipe futuro que “destruirá a cidade e o santuário” (v. 26), e que “fará firme aliança com muitos, por uma semana. Na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de cereais” (v. 27). Não me parece o Messias!

Hebreus 1.316

Essa passagem, extraída de seu contexto (vs. 1-4), refere-se ao “Filho” num cenário que o autor chama de “nestes últimos dias” (v. 2). No geral, é uma declaração cristológica que descreve a relação do Filho com Deus. O motivo para que essa passagem seja citada, presumivelmente, é sua declaração de que o Filho foi para o céu após sua morte expiatória: “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (v. 3b).

Hebreus 2.16-17

Como essa passagem também foi tirada de contexto, dependemos do v. 11 para entender que o antecedente do pronome “ele” é “Jesus”. Como veio para socorrer “a descendência de Abraão” (só os judeus?), e não os anjos (v. 16), foi “necessário que, em todas as coisas, ele se tornasse semelhante aos irmãos” (cf. v. 14) para “ser misericordioso e fiel sumo sacerdote”, fazendo “propiciação pelos pecados do povo” (v. 17). Embora seja uma parte vital do argumento do escrito para afirmar que Jesus é um sumo sacerdote, isso não aparece na CF 24.

Hebreus 4.14-16

Esse texto é uma parte central do chamado do autor, que exorta os leitores a permanecerem comprometidos com sua fé — uma característica vital da carta, não mencionada na CF 24. Essa passagem inclui duas partes do chamado: (1) “conservemos firmes a nossa confissão” (v. 14), e (2) “aproximemo-nos do trono da graça com confiança” (v. 16). O verso 15 ecoa a conexão de Jesus com os outros seres humanos, como discutido nos vs. 2.10-18.

Hebreus 8.1-5

Parece que a CF 24 cita esse texto por três motivos: (1) ele resume a obra de Jesus como sumo sacerdote (v. 1); (2) ele inclui parte da linguagem empregada para falar do santuário celestial (v. 2); e (3) ele afirma que o santuário israelita terrestre foi feito como “sombra das coisas celestiais” (v. 5; cf. 9.23). Estranhamente, no entanto, a declaração não inclui o v. 6, que parece ser o grande foco do autor da carta, indispensável para sua doutrina: “Mas agora Jesus obteve um ministério tanto mais excelente, quanto é também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas.”

Hebreus 9.11-28

O capítulo 9 é um panorama abrangente do sistema israelita do santuário, com seus eventos anuais e periódicos, como prelúdio ao ato principal: o sistema do santuário celestial, com Jesus como sumo sacerdote e seus resultados eternos, mais efetivos. Faria sentido que a CF 24 citasse todo o capítulo. Ao invés disso, ela começa com o surgimento de “Cristo” como “sumo sacerdote” no v. 11, mesmo que o texto, subsequentemente, relembre o sistema israelita.

Hebreus 10.19-22

Esta é a conclusão exortativa do autor para a seção sobre Jesus como sumo sacerdote superior que administra uma aliança superior. Os redatores da CF 24 pelo menos citaram o v. 22, que inclui a primeira parte do apelo: “Portanto, meus irmãos […]” (v. 19) “aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura” (v. 22). Mas a exortação continua: “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar […] Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras” (vs. 23-24).

Este texto é importante por outro motivo. Ele dá uma pista de um argumento importante da carta, o qual contraria uma afirmação da CF 24: a de que Jesus, como sumo sacerdote, não adentrou a contrapartida celestial do santíssimo até 1844 para começar seu ministério no Dia da Expiação antitípico. A pista está nos vs. 19-20: “tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne”. O autor e os leitores originais são, portanto, convidados a seguir Jesus “por meio do véu”. Ninguém lhes diz que esse privilégio será disponibilizado somente a suas contrapartidas do século 19. O escritor garante aos seus leitores que Jesus “nos abriu por meio do véu” o “novo e vivo caminho”.

Isso fica ainda mais claro nos vs. 6.19-20: “Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.” O único véu relevante em relação ao sumo sacerdote israelita era o que separava o santo do santíssimo, chamado aqui de “santuário que fica atrás do véu” (τὸ ἐσώτερον τοῦ καταπετάσματος). Somente o sumo sacerdote passava pelo véu, e somente no Dia da Expiação anual. Embora Jesus não tenha se tornado sumo sacerdote no momento de sua ascensão, Hebreus presume que ele já tinha entrado no lugar santíssimo do santuário celestial. Ele não esperou 18 séculos até 1844.

Apocalipse 8.3-5

O contexto, não incluído na passagem, parece ser o momento em que “o Cordeiro quebrou o sétimo selo” (v. 1). A passagem em si descreve “outro anjo […] com um incensário de ouro” contendo incenso, com o qual ofereceu as orações dos “santos sobre o altar de ouro” (vs. 3-4). O anjo, então, lançou o incensário “à terra” com fogo do altar, acompanhado de trovões, relâmpagos, e um terremoto (v. 5). Nada disso aparece na CF 24, que jamais explica por que citou esse texto.

Apocalipse 11.19

Esse texto descreve a abertura do templo celestial de Deus e a “arca da sua aliança”, acompanhada de trovões, relâmpagos, tremores, terremotos e granizo. Como no texto anterior, a CF 24 não contém nada disso. Eu não sei por que essa passagem foi citada, a menos que a menção da “arca da sua aliança” sugira os Dez Mandamentos — o que, para os adventistas, parece sempre implicar o quarto mandamento.

Apocalipse 14.6-7

Esse texto é o que chamam de mensagem do primeiro anjo, e que, juntamente com os vs. 8-11, constitui as “Mensagens dos três anjos” — praticamente a Constituição dos adventistas. Esse material, incluindo as proclamações do segundo e terceiro anjo, aparece em Apocalipse 14 sem conexão contextual ou literária com o que vem antes ou depois. Não há nenhuma indicação de que ele descreva a existência ou as atividades de algum grupo particular de pessoas, muito menos uma ramificação especial da fé cristã no tempo do fim.

Presume-se que o texto é citado aqui por sua declaração de que “é chegada a hora em que ele [Deus] vai julgar” (v. 7). Os adventistas enxergam isso como um chamado para que eles façam tal proclamação — a qual começou com seus antecessores, os milleritas. Segundo a CF 24, o “juízo” anunciado aqui parece ter um duplo sentido: (1) é o “juízo investigativo” de Deus sobre os crentes vivos e mortos, e (2) é o juízo sobre o próprio Deus pelos “seres celestiais” que leva a uma vindicação de sua “justiça”. É claro, nada disso pode ser derivado a partir da linguagem vaga dessa passagem. Ela não sustenta as alegações da CF 24.

Apocalipse 14.12

Embora os adventistas costumem incluir essa passagem como parte da mensagem do terceiro anjo de Apocalipse 14, sua citação aqui, como em muitas traduções modernas, parece citá-la como uma sentença separada do autor de Apocalipse. De qualquer forma, a razão para que a CF 24 cite esse texto é claramente a descrição dos “santos” favorecidos como “os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (conforme afirmado claramente pela CF 24) — são simplesmente cristãos que obedecem o Decálogo. Para os adventistas, isso significa que eles guardam o quarto mandamento, o qual ordena a guarda do sábado. Isso é visto como a grande característica que distingue o povo de Deus no tempo do fim. Essas especificidades sectárias, no entanto, não estão presentes no texto.

Apocalipse 20.12

Outra cena de julgamento, na qual “livros” anacrônicos, incluindo “o Livro da Vida”, são retirados do arquivo celestial e usados como evidência para julgar “os mortos”. Segundo o v. 20.7, isso parece se passar depois que se completaram “os mil anos”. Portanto, segundo a CF 24, essa cena não pode ter relação com o “juízo investigativo”. Como tal, ela não serve como evidência que sustente a CF 24.

Apocalipse 22.11-12

Esse texto parece ser citado para sustentar a concepção da CF 24 de “fim do tempo da graça”. Há pelo menos dois problemas com isso: (1) o termo “tempo da graça/probation” — seja para humanos ou não — não está presente no texto, e (2) o texto, que deveria pelo menos incluir o v. 10, parte da época do escritor e dos leitores para falar do fim do século 1 — “o tempo está próximo” (cf. v. 12: “Eis que venho sem demora”). Este é um tema comum em Apocalipse.17 Não surpreende que o v. 11 deixe todos em suas próprias condições de caráter e comportamento. Este não é, porém, o “fim do tempo da graça”. Já faz 20 séculos que passamos dele!

Como muitas dessas afirmações da CF e os textos bíblicos que supostamente as sustentam, pode-se perguntar por que algumas passagens óbvias não foram incluídas, especialmente considerando o método de textos-prova empregado. Neste caso, por exemplo, por que 1Pedro 4.17 (“Porque chegou o tempo de começar o juízo pela casa de Deus”) não foi incluído? Na superfície, ele pareceria sustentar a ideia de um juízo sobre os seguidores de Deus, vivos e mortos. É claro que citar esse texto para sustentar a CF 24 implicaria que tal juízo já havia começado, ou estava prestes a começar, quando o texto foi escrito, não em 1844. Pode-se dizer o mesmo de Apocalipse 11.18. Embora a CF 24 cite Apocalipse 11.19, o texto que parece mais relevante é o v. 18 (“Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra”). É claro que isso não é conectado a qualquer momento particular, nem associado a qualquer grupo cristão específico, exceto “os mortos”. Tipicamente, os adventistas chamariam a atenção para a referência ao “sétimo” anjo tocando a trombeta no v. 14, localizando-o em algum momento do período final da história profética. Mas nem isso certificaria este momento como o início de um julgamento em 1844.

Conclusão

A Crença Fundamental 24 é central para a teologia adventista do sétimo dia, e não é só mais uma entre as 28 crenças fundamentais. Ela é a principal doutrina que, por um lado, conecta os adventistas aos milleritas, e que, por outro, os distingue de suas origens milleritas. Contudo, a despeito de sua importância para os adventistas, seu embasamento bíblico é muito frágil. A carta aos Hebreus, embora elabore de modo singular a função de Jesus como sumo sacerdote eterno e celestial, ministrando no “santuário celestial”, o faz de forma que, às vezes, contradiz afirmações adventistas, como quando diz que, após sua ascensão, Jesus passou diretamente pelo “véu” para o lugar mais santo do céu, isto é, a presença de Deus. Para o autor de Hebreus, isso não aconteceu em 1844.

Conforme argumentei, muitas outras afirmações da CF 24 têm sustentação bíblica quase nula. Isso inclui a ideia do juízo investigativo. No entanto, a principal é a concepção de que Jesus entrou na fase final de seu ministério no céu, seu próprio Dia da Expiação, no dia 22 de outubro de 1844 — 180 anos atrás! Essa crença depende de traduções bíblicas ultrapassadas, práticas hermenêuticas sem sustentação sólida (como o princípio do dia-ano), e a leitura equivocada de textos bíblicos retirados de contexto. Nada do tipo aconteceu em 1844, exceto que Jesus não retornou para a terra como antecipavam os crentes milleritas. Essa data foi, e sempre será, um grande desapontamento.

Notas:

1. Warren C. Trenchard, “A Focused Study of the Official Text and Texts of the Sanctuary Belief,” SPECTRUM 52.3 (2024): 61–72.

2. As referências são da Nova Almeida Atualizada (NAA), a menos que o texto indique outra versão.

3. A expressão em 9.11 é τῆς μείζονος καὶ τελειοτέρας σκηνῆς (“a maior e mais perfeita tenda” NRSV). A KJV usa “tabernáculo” ao invés de “tenda”. Cf. a expressão confusa ὁ ναὸς τῆς σκηνῆς τοῦ μαρτυρίου ἐν τῷ οὐρανῷ (“o santuário da tenda do testemunho”) em Apocalipse 15.5 (NRSV). Aqui, a KJV também usa “tabernáculo” ao invés de “tenda”.

4. Hb 7.13, 16.

5. Hb 7.

6. Cf. Hb 7.27; 9.12; 10.2 (ἅπαξ).

7. Outra evidência de que Jesus era o sumo sacerdote antes de sua ascensão é Hebreus 9.11-12 na NAA (“Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos humanas, quer dizer, não desta criação, e não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santuário, uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção”). Consequentemente, Cristo veio ao mundo como sumo sacerdote antes de sua ascensão, e antes de entrar no lugar santíssimo no céu.

8. Cf. os comentários sobre Números 14.34 e Ezequiel 4.6 a seguir.

9. Por exemplo, os seguintes estudiosos não consideram Daniel 8.13-14 uma profecia que se estende ao século 19, muito menos governada por um “princípio dia-ano”: John J. Collins, The Apocalyptic Vision of the Book of Daniel, Harvard Semitic Monographs, No. 16, ed. Frank Moore Cross, Jr. (Missoula: Scholars Press, 1977), 138–141; Louis F. Hartman e Alexander A. Di Lella, The Book of Daniel, The Anchor Bible, vol. 23 (Garden City: Doubleday, 1978), 226–227.

10. Cf. os comentários sobre Daniel 8.13-14 a seguir.

11. Cf. os comentários sobre Apocalipse 14.12 abaixo.

12. Os versos 11-12 descrevem a interrupção das ofertas queimadas regulares, e o v. 13 tem a questão sobre quanto tempo isso vai durar. A palavra הַתָּמִיד (literalmente “a contínua” ou “a regular”), com o artigo, significa “a oferta queimada diária (manhã e tarde)” (BDB, s.v. תָּמִיד), ou simplesmente “o sacrifício regular” (KB, s.v.), e é usada três vezes nos vs. 11-13. Cf. Nm 28.3-4. A questão sobre a interrupção do הַתָּמִיד é respondida no v. 14. A interrupção vai durar 2.300 עֶרֶב בֹּקֶר (literalmente “tarde manhã”). Como o material nos vs. 11-13, incluindo a pergunta, é sobre os sacrifícios regulares [diários] da manhã e tarde, a resposta, que menciona especificamente “tarde manhã”, também deve se referir a esses sacrifícios diários da manhã e tarde.

13. A descrição desses componentes no parágrafo seguinte e as citações bíblicas associadas a este texto são baseadas na NRSV (em português, na NAA).

14. A referência dupla é מָשִׁיחַ נָגִיד (literalmente “um ungido, um príncipe ou governante”). O termo מָשִׁיחַ (“ungido”) é usado quase quarenta vezes na Bíblia Hebraica para sacerdotes (Lv 4.3, 5, 16), reis (1Sm 24.6; Sl 132.10, 17), e até para o monarca persa (!) Ciro (Is 45.1). Ele é sempre traduzido como “ungido” na NRSV. Esta também era a prática da KJV, exceto em Daniel 9, onde foi traduzido como “o Messias, o Príncipe” no v. 25, e “Messias” no v. 26. Essas traduções injustificadas, incluindo o uso do artigo definido com “O Messias” e a capitalização de “Príncipe”, são claramente produto de ideias cristãs preconcebidas e colocadas nesses textos. O termo usado aqui não deveria ser tratado diferentemente de todas as suas outras ocorrências na Bíblia Hebraica. Portanto, esses textos simplesmente se referem a um ou mais líderes políticos ou militares importantes, assim como em qualquer outro momento da história hebraica.

15. Não há motivo, seja em Daniel ou em outro lugar, para considerar as 70 semanas um segmento da profecia dos 2.300 dias.

16. As citações bíblicas só incluem textos do NT de Hebreus e Apocalipse — seis de cada.

17. Além de muitas referências a eventos que os leitores originais esperavam ver em sua geração, dois textos convincentes certificam que o autor esperava que o livro se cumprisse em seus dias. Estes são a abertura do livro (“Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” em 1.1) e um texto perto do fim (“O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” no v. 22.6).